Nesta sexta-feira, 5 de dezembro de 2025, a Mills (MILS3) divulgou que a TPE Gestora de Recursos Ltda. e a Tarpon Gestora de Recursos Ltda. elevaram sua participação agregada para 37.336.800 ações ON, equivalente a 15,94% do total. Em carta datada de 4 de dezembro, as gestoras afirmaram que o objetivo é exclusivamente de investimento, sem intenção de alterar a estrutura de controle ou a administração, e informaram não manter derivativos ou acordos de voto. O comunicado foi feito nos termos do Artigo 12 da Resolução CVM 44. A correspondência foi assinada pelos diretores Bruno Gebara Stephano e Fabrício Carvalho Silva, reforçando transparência e alinhamento com as melhores práticas de governança.
O movimento de ampliação de posição ocorre em um momento de reorganização societária gradual, marcado pela desvinculação de 20 milhões de ações do Acordo de Acionistas (2 de dezembro de 2025), que abriu uma janela de até 120 dias para eventual alienação, sem alteração das regras do acordo e preservando o arranjo de controle. Esse passo ampliou o potencial de free float e de liquidez no secundário, ao mesmo tempo em que manteve a previsibilidade contratual do bloco de controle. A comunicação da Tarpon, enfatizando finalidade de investimento e ausência de acordos, se encaixa nessa transição ordenada da base acionária, sugerindo evolução para uma estrutura mais dispersa, com investidores institucionais aumentando relevância sem pressionar a estabilidade de governança.
Do ponto de vista de fundamentos, a atratividade do papel foi sustentada por execução e disciplina financeiras consistentes ao longo do ano. Em especial, a companhia reportou no 3º tri um conjunto de indicadores que elevam a previsibilidade de caixa e a resiliência do mix de receitas, apoiando decisões de alocação de investidores de longo prazo. Nessa direção, a aceleração operacional e a margem de 52,7% de EBITDA no 3T25, com alavancagem estável em 1,5x, somadas ao alongamento de passivos via 11ª emissão de debêntures e ao avanço de contratos de longo prazo, reforçam o cenário de risco-retorno. Esse pano de fundo tende a mitigar ruídos típicos de realocações acionárias e oferece suporte para a formação de posições relevantes, ao mesmo tempo em que a disciplina de capex direcionado à frota sustenta a capacidade de crescimento com margens elevadas e conversão de caixa robusta.
Além disso, a previsibilidade de retorno ao acionista tem contribuído para a tese. A continuidade na remuneração, evidenciada pela distribuição de JCP referente ao 3º tri de 2025, consolida a mensagem de disciplina de capital e de organização do calendário de proventos. Em conjunto, governança previsível, fundamentos sólidos e liquidez incremental criam um ambiente propício para investidores institucionais ampliarem participação sem alterar o controle, tornando a elevação da fatia da Tarpon um capítulo coerente da trajetória recente da Mills.







