Nesta sexta-feira, 5 de dezembro de 2025, a CEMIG (CMIG3, CMIG4) e a CEMIG Geração e Transmissão (CEMIG GT) informaram que o Juízo da 1ª Vara da Fazenda Pública de Belo Horizonte concedeu tutela de urgência, em ação civil pública ajuizada pela Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas de Minas Gerais, suspendendo a tramitação do processo de alienação decorrente do leilão público dos direitos de exploração de quatro usinas de pequeno porte. A decisão alcança o contrato originado do leilão de 05/12/2024 referente às PCHs Machado Mineiro, Sinceridade, Martins e Marmelos, classificadas como não aderentes ao Planejamento Estratégico. A companhia afirmou que recorrerá em todas as instâncias e manterá o mercado informado.
Este bloqueio judicial não altera a direção estratégica, mas adiciona incerteza de prazo a uma frente de desinvestimento já em execução. Em 16/10/2025, a companhia havia concluído a transferência onerosa das usinas de pequeno porte Machado Mineiro, Sinceridade, Martins e Marmelos para a Âmbar Hidroenergia, movimento que podava ativos subescala para reduzir complexidade e concentrar capital em projetos com melhor relação risco-retorno. A decisão agora tende a retardar etapas contratuais e registros associados, com possíveis efeitos no timing de reconhecimento contábil e no cronograma de recebimento/obrigações, mas sem contrariar o racional de portfólio que a empresa vem perseguindo desde 2019. Para o investidor, o foco passa a ser a velocidade de recurso, a manutenção de covenants e a preservação de guidance de rotação de ativos.
Essa leitura ganha robustez quando observada junto ao pilar financeiro: a companhia tem usado funding de longo prazo e incentivado para ancorar o ciclo de investimentos e amortecer eventos extraordinários. Exemplo concreto foi a 11ª emissão de debêntures da Cemig GT sob a Lei 12.431, direcionada a transmissão, modernização de PCHs e implantação de UFVs, que reforçou liquidez e alinhou passivos ao perfil regulado/renovável. Com caixa mais previsível e custo de capital competitivo, a CEMIG reduz a dependência de desinvestimentos como gatilho de liquidez imediata, permitindo que disputas judiciais de curto prazo sejam absorvidas sem deteriorar a execução industrial nem a disciplina de payout.
No eixo operacional, a suspensão não descaracteriza a trajetória de simplificação e foco em controle integral que o grupo vem implementando. Poucos dias atrás, a controlada de GD consolidou 100% de ativos em uma reorganização que reforça governança e eficiência em O&M — um passo descrito na reorganização societária da Cemig SIM que privilegiou controle total de UFVs e continuidade da curadoria de portfólio. Em conjunto, o processo judicial é um desvio de rota, não uma mudança de destino: a estratégia segue sendo enxugar ativos subescala, modernizar o parque remanescente e financiar crescimento com estruturas previsíveis, enquanto a administração recorre e atualiza o mercado conforme a regulação da CVM.







