O Santander Brasil anunciou, em 4 de dezembro de 2025, a emissão de Letras Financeiras subordinadas no montante de R$ 2,3628 bilhões, com vencimento em 10 anos e opção de recompra a partir de 2030, em colocação privada. Os recursos serão elegíveis a Capital Nível II do Patrimônio de Referência, conforme a Resolução BCB nº 122, fortalecendo o índice de capitalização Nível II e ampliando o colchão regulatório sem diluição do acionista. Na prática, a operação adiciona resiliência para sustentar crescimento e absorver volatilidade de mercado, preservando o CET1 e diversificando o mix de passivos. Esse movimento dá continuidade à disciplina de capital e de retorno evidenciada no desempenho e nível de capital no 3T25 (ROAE 17,5%, CET1 11,7% e Basileia 15,2%).
Ao optar por instrumento subordinado de prazo longo, o banco alonga o passivo e consolida uma estrutura de capital mais balanceada entre CET1 e Nível II, mantendo flexibilidade para calibrar alocação entre crédito, tesouraria e remuneração ao acionista. O Tier II atua como amortecedor adicional para ciclos de risco, permitindo que a expansão seletiva da carteira ocorra sem pressionar o núcleo de capital. Esse desenho é coerente com a mensagem de previsibilidade de payout e otimização fiscal materializada no JCP de R$ 2,0 bilhões deliberado em outubro de 2025. Com a base regulatória reforçada, o Santander amplia capacidade de originação em linhas de maior rentabilidade, mitiga a sensibilidade a oscilações da margem de mercado e preserva espaço para iniciativas táticas, como o programa de recompra aprovado em setembro de 2025, mantendo a eficiência e a solidez prudencial. A estrutura com call a partir de 2030 ainda oferece flexibilidade para reciclagem do instrumento conforme o ciclo de juros e spreads, em linha com melhores práticas de gestão de capital.
Além do eixo financeiro, a emissão dialoga com a agenda de governança e previsibilidade dos ritos societários, reforçando estabilidade institucional para o próximo ciclo de execução. O cuidado com transparência e engajamento do investidor, inclusive na avaliação de mecanismos de fiscalização independentes, alinha disciplina de capital com accountability e reduz ruídos em ambientes voláteis. Essa direção ficou clara na reapresentação do Boletim de Voto a Distância e discussão sobre Conselho Fiscal (novembro/2025), quando a companhia aprimorou procedimentos em linha com a CVM 81 e reiterou a combinação de prudência e previsibilidade que sustenta a atual estratégia de capital.







