A Grendene (GRND3) convocou AGE exclusivamente digital para 24 de dezembro de 2025 a fim de deliberar dois movimentos combinados: (i) aumento de capital de R$ 626,4 milhões por capitalização integral de reservas (legal, PROAPI e incentivo de IRPJ), sem emissão de novas ações, elevando o capital social de R$ 2,256 bilhões para R$ 2,882 bilhões e ajustando o artigo 5º do Estatuto; e (ii) distribuição de dividendos extraordinários de R$ 980,0 milhões, com base na reserva de lucros formada por incentivos fiscais de ICMS apurada nas demonstrações até 30/09 e balancetes de outubro e novembro de 2025. A Proposta da Administração será divulgada em 3 de dezembro, conforme RCVM 81. Este anúncio reforça a cadência de remuneração ao longo do ano, em linha com a 4ª distribuição antecipada de 2025 aprovada em 2/12, e sinaliza um fechamento de exercício com payout reforçado e sem diluição.

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Estratégicamente, a capitalização de reservas reorganiza o patrimônio líquido sem alterar o número de ações, enquanto o dividendo extraordinário monetiza incentivos fiscais acumulados, devolvendo caixa em escala incomum e preservando flexibilidade para 2026. O desenho indica confiança na geração de caixa e no resultado financeiro recorrente, apesar do ambiente operacional mais apertado em 2025. A empresa enfrentou queda de margens e volumes, mas sustentou a receita com mix e internacionalização, contexto que ajuda a explicar a opção por um dividendo extraordinário robusto ancorado em reservas, sem pressionar estrutura de capital. Esses vetores já apareciam nos resultados do 3T25, com receita estável, lucro comprimido e maior peso do exterior, reforçando a lógica de separar eficiência operacional do compromisso com retorno ao acionista.

Na ótica de alocação de capital, o pacote proposto hoje conversa com a preferência da Grendene por não diluição (sem emissão) e por instrumentos complementares de retorno: JCP/dividendos ao longo do ano e recompras para suavizar o lucro por ação e atender planos de opções. Ao reciclar reservas para elevar o capital e, em paralelo, distribuir um montante extraordinário, a companhia mantém o balanço organizado para ciclos mais voláteis, enquanto conserva munição para o negócio principal. Esse arranjo se alinha ao programa de recompra de até 5 milhões de ações aprovado em 6/11/2025, desenhado como neutro para o dividendo obrigatório, criando um trilho de previsibilidade de payout. Próximos marcos a monitorar: divulgação da Proposta da Administração (3/12), datas de corte e pagamento, e a execução coordenada entre recompras e o fluxo de caixa operacional à medida que 2026 se inicia.

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