A Grendene (GRND3) aprovou, nesta terça-feira, 2 de dezembro de 2025, a 4ª distribuição antecipada de dividendos do ano, no total de R$ 101,26 milhões, com pagamento previsto para 24 de dezembro de 2025. Do montante, R$ 45,0 milhões serão pagos como Juros sobre Capital Próprio (JCP) imputados ao dividendo, equivalentes a R$ 0,049880287 por ação (bruto), sujeitos à tributação conforme a legislação; e R$ 56,26 milhões como dividendos, no valor de R$ 0,062363634 por ação, sem retenção de IR. Terão direito aos proventos os acionistas posicionados em 11 de dezembro (data de corte), com ações passando a ex-dividendo/ex-JCP em 12 de dezembro, na B3. A deliberação foi tomada ad referendum da AGO que apreciará as contas de 2025.

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Essa quarta antecipação no mesmo exercício consolida previsibilidade e disciplina na remuneração ao acionista, além de manter a combinação entre JCP e dividendos que otimiza o fluxo de caixa ao longo do ano. Em termos de cadência, o anúncio dá continuidade ao cronograma de 2025 e reduz incertezas sobre payout antes do fechamento do exercício, reforçando a prática de distribuir caixa mesmo durante o processo de ajuste operacional. Nesse sentido, a decisão dialoga diretamente com a 3ª distribuição antecipada de dividendos do exercício de 2025, aprovada em novembro, que já havia sinalizado consistência no retorno ao acionista e a intenção de organizar os pagamentos de forma faseada.

Do lado da alocação de capital, o anúncio de hoje se encaixa em um desenho mais amplo: a companhia vem combinando proventos recorrentes com instrumentos que ajudam a suavizar o lucro por ação e dar suporte ao plano de incentivos. Ao manter a previsibilidade de JCP e dividendos, a Grendene administra a estrutura de capital sem comprometer o caixa operacional e preserva flexibilidade para eventuais complementações após a AGO. Em paralelo, sustenta um mecanismo para absorver volatilidade de curto prazo e atender opções de executivos, como ilustra o programa de recompra de até 5 milhões de ações aprovado em 6/11/2025, delineado como neutro para o dividendo obrigatório e para obrigações com credores.

Operacionalmente, o contexto recente foi desafiador, com pressão de margens, aumento de custos por par e menor volume, ao mesmo tempo em que o mix e a internacionalização sustentaram a receita. A decisão de manter o ritmo de proventos indica confiança na geração de caixa e na robustez do resultado financeiro recorrente, que compensou parte do aperto operacional ao longo de 2025. Esse pano de fundo ficou evidente nos resultados do 3T25, que mostraram queda de margens e maior peso do exterior, além do alerta para tarifas nos EUA — elementos que reforçam a importância de uma política de remuneração calibrada e sustentada por eficiência e gestão de caixa.

Para ancorar a perenidade do payout, a empresa também vem endereçando sua arquitetura internacional, buscando reduzir custos e encurtar processos decisórios. Ao concentrar a operação em uma subsidiária nos EUA e eliminar camadas no Reino Unido, a Grendene persegue sinergias administrativas e governança mais direta, criando um contrapeso de eficiência às pressões de curto prazo. Essa diretriz fica clara na simplificação societária com a aquisição da GGB USA e dissolução da GGB UK, que tende a fortalecer a capacidade de converter receita em caixa fora do Brasil, apoiar a execução comercial e, por consequência, sustentar a consistência da remuneração ao acionista ao longo dos próximos trimestres.

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