No 3T25, a Grendene reportou receita líquida de R$ 760,1 milhões (+1,4% vs. 3T24), com lucro líquido de R$ 138,5 milhões (-38,0%) e Ebit recorrente de R$ 117,9 milhões (-25,6%). A margem bruta recuou para 46,5% (-1,4 pp) e o volume embarcado caiu 10,2%, para 36,3 milhões de pares. O mix sustentou a receita bruta em R$ 1,02 bilhão (+10,6%) via maior valor por par, enquanto o CPV por par subiu 15,9% e as despesas operacionais avançaram 30,2%, pressionando o Ebit (margem de 10,0%). No Brasil, a receita bruta recuou 2,4%, compensada por forte avanço no exterior (+86,1%), onde a consolidação das vendas da GGB adicionou R$ 120,1 milhões e também elevou o opex. Em 9M25, a receita líquida somou R$ 1,879 bilhão (+6,2%) e o resultado financeiro recorrente cresceu 49,8%, enquanto a administração aponta ambiente desafiador e tarifas nos EUA como risco adicional.
Este retrato operacional reforça uma mudança estrutural: maior peso do mercado externo, tíquete médio mais alto e esforços para ganhar eficiência sobre a cadeia internacional. Nesse sentido, o movimento anunciado hoje de reorganização com a aquisição da GGB USA e dissolução da GGB UK tende a acelerar um processo já visível no trimestre — consolidação comercial da GGB sustentando receita fora do Brasil, porém com maior complexidade e custos. A simplificação societária busca reduzir camadas, encurtar decisões e capturar sinergias administrativas, criando um contrapeso de eficiência para a pressão de margens decorrente do redesenho da operação internacional e do desafio tarifário nos EUA.
Do lado da alocação de capital, a empresa preserva instrumentos para mitigar volatilidade de lucro por ação e gerir incentivos, mesmo com Ebit e margens em queda. A aprovação do programa de recompra de até 5 milhões de ações aprovado em 6/11/2025 sinaliza continuidade de uma política que combina retorno aos acionistas com suporte ao plano de opções, ancorada em geração de caixa e em um robusto resultado financeiro recorrente em 9M25. Em conjunturas de compressão de volumes e custos pressionados, recompras podem suavizar o impacto no EPS, enquanto a reconfiguração internacional busca reequilibrar a equação operacional à frente.
Em paralelo, a previsibilidade no payout permanece como pilar da narrativa de 2025. A 3ª distribuição antecipada de dividendos do exercício de 2025 no mesmo dia dos números reforça disciplina e consistência: a companhia devolve caixa ao investidor enquanto executa a simplificação no exterior e ajustes de portfólio e comerciais mencionados para o próximo trimestre. Assim, os resultados do 3T25 funcionam como capítulo intermediário de uma estratégia coerente — expandir receita com mix e internacionalização, recuperar eficiência via reestruturação societária e sustentar atração ao acionista com um mix de dividendos/JCP e recompras, mesmo em ciclo de margens mais estreitas.







