Na terça-feira, 2/12/2025, a Paranapanema (PMAM3) respondeu a ofício da CVM sobre sucessivos adiamentos do ITR do 3º tri/25. A autarquia questionou as alterações de data divulgadas nos calendários de 07/11, 14/11, 19/11 e 26/11 e por que o tema não foi tratado como Fato Relevante, à luz da Resolução CVM 44/21. A companhia afirmou que a postergação decorre exclusivamente da conclusão do teste de recuperabilidade de ativos (impairment), especialmente os localizados na Bahia, e que, embora o calendário indicasse 05/12, ainda não há data definida. A empresa sustentou que avaliou, de boa-fé, ausência de impacto relevante às decisões de investimento e prometeu divulgar o ITR assim que os procedimentos técnicos forem finalizados.
Esse posicionamento dá continuidade à comunicação já feita no comunicado de 28/11/2025 sobre a postergação do ITR e o teste de impairment. Na ocasião, a administração destacou a complexidade técnica do procedimento e a necessidade de revisão pelos auditores, além do potencial efeito do impairment sobre valor contábil de ativos, patrimônio, alavancagem e covenants. Ao insistir em fechar o teste antes de publicar o ITR, a empresa busca ancorar as premissas de geração de caixa e reduzir retrabalhos contábeis, algo especialmente sensível em recuperação judicial. A resposta ao ofício também reforça o compromisso com forma e canal exigidos (Empresas.NET) e sinaliza que, caso haja nova reprogramação, a atualização será imediata, mitigando assimetria informacional e risco de multas cominatórias.
No plano financeiro, a prudência contábil conversa com a agenda de reforço de liquidez e capital. Em novembro, a companhia aprovou a 8ª emissão privada de debêntures conversíveis, de até R$ 60 milhões, instrumento que aporta capital de giro sem pressionar o caixa com juros e cuja conversão obrigatória no vencimento favorece a desalavancagem. Para investidores e credores, a qualidade do ITR 3T25 — com impairment concluído — é insumo para precificar risco e aderência ao PRJ. Em outras palavras, a consistência dos valores de ativos e premissas operacionais sustenta negociações, reduz incerteza sobre covenants e torna mais previsíveis os próximos passos de funding, inclusive a calibração do preço de conversão referenciado a mercado.
Diferentemente do observado pouco antes, quando houve a homologação parcial do aumento de capital de R$ 53,6 milhões, com baixa adesão, a estrutura de captação atual tenta acomodar o apetite real do mercado. A sucessão de adiamentos do ITR e a cobrança por transparência da CVM evidenciam que governança informacional e previsibilidade são peças centrais para reabrir a janela de captação. Ao alinhar divulgação financeira, testes de recuperabilidade e instrumentos de capital, a companhia busca reconstituir confiança, reduzir custo de capital e estabelecer um roteiro mais crível de execução do plano sob a recuperação judicial.
Em síntese, o ofício da CVM não muda a estratégia, mas acelera a disciplina na comunicação: concluir o impairment, publicar o ITR com integridade e manter o mercado atualizado. Se bem executado, este passo consolida a virada de governança iniciada com a priorização do teste e prepara terreno para a próxima fase financeira.







