Neoenergia (NEOE3) celebrou contrato para alienar 100% das ações da Energética Águas da Pedra S.A. (operadora da UHE Dardanelos, 261 MW) à EDF Brasil Hidro Participações, por Enterprise Value de R$ 2,515 bilhões, sujeito a ajustes usuais e atualização pelo CDI até o closing. Do valor, R$ 2.229 milhões referem-se à base de dez/24 (incluindo R$ 67 milhões de earn-out) e R$ 286 milhões à correção pelo CDI até a assinatura. No mesmo dia, firmou Acordo de Investimento: a Neoenergia aportará R$ 93,5 milhões para 25% da Hidro Participações e a EDF Brasil Holding R$ 280,5 milhões (75%), mantendo a Neoenergia participação indireta de 25% na EAPSA; existe opção de compra/venda integral dessa fatia em até 2,5 anos. A conclusão depende de CADE, Aneel e agentes financiadores. Ao classificar a operação como rotação de ativos com disciplina de capital, a companhia sinaliza reciclagem seletiva em geração para reforçar liquidez, reduzir risco e preservar optionalidade — coerente com o factbook 2024 que reforça o foco em redes e a rotação seletiva de ativos.

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A escolha por coinvestir com parceiro industrial, manter 25% indiretos e estabelecer uma janela contratual de saída evidencia pragmatismo na alocação: captura valor no presente, compartilha riscos operacionais e mantém upside caso as condições de mercado e hidrologia sejam favoráveis. Esse desenho é viabilizado por uma governança mais enxuta, com decisões de portfólio aceleradas, metas claras de retorno e prioridade aos negócios regulados de previsibilidade. Além de reduzir a volatilidade do caixa consolidado, a transação libera capacidade para CAPEX em distribuição e transmissão, em linha com a tese central da companhia. Esse ritmo de execução foi viabilizado pela simplificação de governança com maior controle da Iberdrola, que encurtou prazos decisórios e facilitou reciclagens táticas.

A rotação de Dardanelos não é um ponto fora da curva, mas mais um capítulo de uma gestão ativa da geração para reduzir exposição a sazonalidade e preço spot. Nos últimos trimestres, a empresa vem reconfigurando o portfólio ao desinvestir em hídricas maduras, enquadrar térmicas em contratos de capacidade e priorizar PPAs de longo prazo, mantendo a tese de redes como motor dos resultados. Esse caminho já estava descrito nas prévias operacionais do 3T25, que destacaram a venda de Baixo Iguaçu e o contrato de capacidade da Termopernambuco, conectando decisões de portfólio a maior previsibilidade de caixa.

Em paralelo, a Neoenergia tem utilizado estruturas comerciais para ancorar demanda e monetizar participações de forma parcial, reduzindo a volatilidade sem abrir mão de presença estratégica nos parques. O arranjo com cliente âncora permite travar receita, melhorar bancabilidade e criar funding competitivo para a base de geração, ao mesmo tempo em que preserva foco de CAPEX nas distribuidoras e linhas de transmissão. Um exemplo recente é o acordo com a Ambev em Oitis que estruturou autoprodução por equiparação e a monetização de fatias minoritárias, roteiro similar ao da transação com a EDF: reciclar capital, compartilhar risco e manter opcionalidade de saída futura, enquanto o core regulado segue como principal gerador de valor.

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