No 3T25, a Dexco reportou lucro líquido de R$ 14,2 mi e EBITDA Ajustado e Recorrente de R$ 445 mi (pro forma de R$ 566,5 mi, com R$ 121,5 mi atribuíveis à companhia), em receita de R$ 2,128 bi (-5% a/a; estável t/t). O FCL Sustaining positivo de R$ 81,6 mi foi apresentado como evidência do fim do ciclo de investimentos 2021–2025. A fotografia operacional segue mista: Madeira resiliente (EBITDA de R$ 394,2 mi; margem 27,9%), Metais e Louças com geração positiva (EBITDA de R$ 52,1 mi) e Revestimentos ainda pressionado (EBITDA de R$ -1,2 mi), enquanto o resultado financeiro (-R$ 213 mi) reflete 99,6% da dívida atrelada ao CDI (107,6% do CDI). Esse marco de transição se conecta à agenda de liquidez e alongamento do passivo já antecipada na renovação da linha rotativa de R$ 750 milhões por dois anos, que funciona como ponte até a fase de desalavancagem.

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A leitura estratégica do trimestre é de estabilização sequencial de receita e EBITDA, apesar do prejuízo recorrente (R$ -42,8 mi), e alavancagem em 3,48x (vs. 3,39x no 2T25). As medidas de liability management concluídas em outubro — emissão de R$ 1,5 bi em debêntures e renovação do RCF — ainda não impactam o 3T25, mas tendem a reduzir risco de liquidez e organizar o custo marginal de capital na próxima etapa. Diferentemente do 2T25, quando a conversão de caixa foi pressionada, o FCL Sustaining volta ao campo positivo, sinalizando normalização com CAPEX já rotacionado para manutenção. Nessa mesma direção de continuidade, a substituição na Diretoria de Administração e Finanças com foco em disciplina de capital reforça a execução pós-ciclo: capturar ganhos do redesenho industrial, proteger margens em madeira e acelerar a recuperação de acabamentos.

Do ponto de vista de mercado de capitais, a manutenção de liquidez comprometida e o foco em governança são consistentes com a leitura de previsibilidade operacional no momento em que a empresa encerra o ciclo 2021–2025 e prioriza desalavancagem (prazo médio da dívida de 4 anos; 73% no longo prazo). A estabilização de volumes em madeira, somada à contribuição de LD Celulose via equivalência patrimonial no ano, ajuda a ancorar o perfil de geração, enquanto Revestimentos segue como vetor de retomada mais lenta. Esse pano de fundo dialoga com a participação relevante informada pela Tordesilhas/Fourth Sail, interpretada como voto de confiança na execução: prudência financeira, buffers de liquidez e trajetória de eficiência que sustentam a redução gradual da alavancagem e uma melhor conversão de caixa ao longo da nova fase.

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