Com lucro líquido de R$ 353,5 milhões nos 9M25 (alta de 285,5%) e margem EBITDA ajustada saltando para 62,5% no 3T25, a EMAE entrega o maior resultado da sua história mesmo com leve queda de receita. O desempenho combina limpeza de passivos (reversão líquida de provisões de R$ 59,1 milhões após decisão judicial), custos menores em encargos e PSAP, além de forte resultado financeiro em ambiente de Selic mais elevada. Operacionalmente, a modernização de seis unidades (361 MW) e alta disponibilidade em Henry Borden evidenciam execução, enquanto I-RECs certificam a monetização da pauta ESG. Em paralelo, a receita foi pressionada por revisão tarifária e paralisação programada em Rasgão, parcialmente compensadas por Pirapora e aluguel do terreno da antiga UTE Piratininga.

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Nos eventos subsequentes, a execução de garantias das debêntures da controladora e a negociação de venda para a Sabesp podem redesenhar o controle, sob tutela judicial que preserva a normalidade operacional. Esse capítulo de governança dá continuidade à sequência iniciada no Fato Relevante de 5/10 sobre a notificação da Vórtx e os contratos anunciados por Sabesp e Eletrobras, quando a companhia já havia separado o nível societário do operacional e se comprometido a manter o mercado informado sob prazos regulatórios, condição essencial para atravessar transições sem contaminar a execução industrial.

Desde então, a EMAE reforçou uma disciplina de disclosure que se mostra valiosa agora: ao responder ao regulador e balizar o noticiário com demonstrações auditadas e notas, a administração vem ancorando a comunicação em fatos verificáveis e no Empresas.NET. Essa coerência reaparece quando a empresa destaca aplicações vinculadas a operações sujeitas a anuência e, ao mesmo tempo, preserva liquidez para projetos. Esse padrão foi explicitado na resposta à CVM em 24/10, que contextualizou a disputa das garantias da Phoenix, reafirmou a leitura IFRS e lembrou que a alocação na Light dependia de aval da ANEEL, reduzindo ruído e reforçando previsibilidade para credores e minoritários durante a apuração regulatória.

O colchão de caixa ajuda a explicar a resiliência do trimestre e a geração de resultado financeiro positivo: além do ganho de rendimento com a Selic, a companhia vem colhendo efeitos de entradas extraordinárias e ressarcimentos, como o recente crédito da Baixada Santista Energia reportado no 3T25. Nessa linha, um marco que mudou a fotografia de liquidez foi a indenização de R$ 226,9 milhões recebida em 17/9 pela quitação do arrendamento da Baixada Santista, que reduziu incertezas de passivos legados, ampliou a flexibilidade para contrapartidas de project finance e criou amortecedor para atravessar despesas não recorrentes sem desorganizar o cronograma operacional.

Por fim, o recorde de lucro é também consequência de escolhas de capital consistentes com a fase de investimentos: a companhia evitou dispersões e preservou recursos em 2025. Essa opção ficou cristalina na reconsideração do Artigo 2º do Estatuto para evitar reembolso a dissidentes, que blindou caixa e alavancagem em momento de preparação de CAPEX e estruturação financeira de projetos. Em conjunto, disciplina informacional, arrumação societária e foco na execução criaram as condições para margens elevadas agora e sustentação do pipeline, enquanto o desfecho societário segue sob escrutínio regulatório e judicial.

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