Na divulgação do 3T25, a Equatorial Energia reportou EBITDA ajustado de R$ 3,5 bilhões (+18,6% a/a) e Receita Operacional Líquida de R$ 14,1 bilhões (+13,7% a/a). O lucro líquido foi de R$ 610 milhões (vs. R$ 990 milhões no 3T24), enquanto o lucro líquido ajustado avançou 4,9% para R$ 830 milhões, evidenciando que a expansão operacional foi parcialmente ofuscada pelo maior custo financeiro, em linha com CDI elevado e dívida bruta maior. A equivalência patrimonial da Sabesp somou R$ 315 milhões. Operacionalmente, houve redução do DEC em todas as distribuidoras, enquadramento da CEEE-D no DEC contratual, oitavo trimestre seguido de perdas consolidadas abaixo do nível regulatório e aumento de 2,6% no volume de energia faturada + compensada de GD II/III. O CAPEX atingiu R$ 3,0 bilhões; a dívida líquida para covenants fechou em R$ 46,1 bilhões (3,3x dívida líquida/EBITDA), com caixa de R$ 16,0 bilhões (2,1x a dívida de curto prazo) e alongamento de prazo médio para 5,8 anos após captações de R$ 9,4 bilhões.

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Os números consolidam a virada operacional iniciada na distribuição e confirmam a tendência já indicada no release operacional do 3T25, com energia injetada em alta e perdas em queda. A combinação de crescimento de mercado, perdas abaixo do nível regulatório e melhora de qualidade (DEC/FEC) reduz penalidades e dá previsibilidade ao EBITDA‑tarifa entre ciclos. No trimestre, a manutenção de investimentos e a execução de planos de eficiência sustentaram a expansão de margem bruta (+4,5%) e o controle de PMSO (+0,7%), permitindo que o avanço operacional compense, em parte, o efeito do custo de capital mais alto sobre o resultado financeiro. Esse pano de fundo reforça a resiliência do core regulado, mesmo diante de um ambiente macro de juros elevados.

Estratégicamente, o 3T25 marca a consolidação da rotação de portfólio: o período foi o primeiro após o closing da conclusão da venda da Equatorial Transmissão em 31/10/25, que simplificou a holding, reposicionou capital para distribuição e renováveis e aumentou a visibilidade de retorno regulado. Essa mudança estrutural dialoga com o alongamento de passivos visto no trimestre e com a priorização de projetos de redução de perdas e modernização de rede. Ao concentrar gestão e capital no núcleo de distribuição, a companhia fortalece a geração de caixa regulatória, cria condições para acelerar a queda de penalidades de qualidade e sustenta a trajetória de desalavancagem à medida que o ciclo regulatório atualiza base e calibra parâmetros entre RTPs e RTAs.

Na remuneração ao acionista, o conselho aprovou pagamento de JCP de R$ 1,8 bilhão (R$ 1,45/ação), em linha com o JCP de R$ 1,819 bi aprovado em 31/10/25, que já havia sinalizado disciplina de capital pós‑desinvestimento. A convergência entre execução operacional, previsibilidade regulatória e liquidez robusta permite devolver caixa sem interromper o CAPEX necessário para sustentar ganhos de eficiência e qualidade. Em termos de leitura de sustentabilidade de payout, o suporte por reservas e a suavização de sazonalidades regulatórias ajudam a ancorar a política de proventos enquanto a empresa captura retorno sobre uma base de ativos mais focada e com menor volatilidade.

No eixo de governança e estrutura societária, o trimestre também trouxe simplificação na subholding de distribuição: o resgate das preferenciais A e B, além da reformulação da condição de resgate da classe C (agora a 100% do CDI), dá continuidade ao exercício parcial da opção com o Itaú e o 3º aditivo ao acordo de acionistas em 11/11/25. Essa sequência concentra o comando decisório, converte PNs em ON e reduz fricções de alçadas, acelerando a priorização de CAPEX em automação, poda e troca de ativos críticos. Na prática, mais alinhamento entre holding e concessões encurta o ciclo entre orçamento e execução, melhora a prestação de contas de indicadores regulatórios e reforça a coerência da tese: foco em eficiência, qualidade e retorno estável na distribuição, com opcionalidades em renováveis.

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