Em 11 de novembro de 2025, a Equatorial Energia exerceu parcialmente opção de compra junto ao Itaú Unibanco e adquiriu ações preferenciais classe A (6,32% do capital) por R$ 392 milhões e classe B (9,89% do capital) por R$ 1,608 bilhão da Equatorial Energia Distribuição S.A., sua controlada. As preferenciais adquiridas foram convertidas em ordinárias, mantendo a Equatorial titular de 100% das ON da subsidiária, que passaram a representar aproximadamente 90,42% do capital total. O Itaú permaneceu com preferenciais A, B e C, equivalentes a aproximadamente 9,58% do capital. Na mesma data, as partes firmaram o 3º aditivo ao Acordo de Acionistas para refletir o exercício parcial, alterar características das preferenciais classe C e atualizar termos de opções futuras.

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Este movimento aprofunda a simplificação societária e consolida o comando direto da holding sobre o core de distribuição, em linha com a conclusão da venda da Equatorial Transmissão, em 31/10/25, que encerrou a rotação de portfólio e reposicionou capital para negócios regulados. Ao elevar a participação econômica total e converter PNs em ON na subholding, a Equatorial ganha previsibilidade de governança e de decisão sobre CAPEX, permitindo acelerar projetos de redução de perdas, modernização de rede e melhora de DEC/FEC, além de harmonizar direitos com o minoritário financeiro remanescente (Itaú), agora concentrado em classes preferenciais com atributos ajustados no novo aditivo. Esse rearranjo também tende a reduzir fricções em alçadas e vetos típicos de estruturas com múltiplas classes, reforçando a coerência da tese de longo prazo: controle concentrado na plataforma de distribuição, opcionalidades em renováveis e disciplina regulatória como motor de geração de caixa.

Do lado operacional, a decisão dialoga com a execução recente nas concessões: o release operacional do 3T25, com energia injetada em alta e perdas em queda, evidenciou tração coordenada no portfólio, preparando terreno para capturar, via base regulatória e penalidades menores, os efeitos de uma governança mais direta na Equatorial Distribuição. A centralização societária tende a facilitar a priorização de projetos de automação, poda e troca de ativos críticos nas concessionárias, com impacto sobre a qualidade e a estabilidade do EBITDA‑tarifa entre ciclos, além de dar visibilidade a cronogramas de RTP/RTA e sua interação com metas de perdas e qualidade. Na prática, maior alinhamento entre holding e subholding reduz o tempo entre definição de orçamento e execução, simplifica a prestação de contas de indicadores regulatórios e oferece flexibilidade para calibrar o mix de investimentos entre regiões, conforme o retorno marginal e a criticidade operacional de cada área de concessão.

Importante notar que a reorganização do capital da Equatorial Distribuição convive com uma agenda consistente de alocação de capital no nível da holding, visível na recompra 2025 anunciada após a rotação de portfólio, e com a manutenção de liquidez suficiente para sustentar o ciclo de investimentos e remuneração ao acionista. Em conjunto, o exercício parcial da opção com o Itaú e o 3º aditivo ao acordo de acionistas sinalizam maturidade de governança: o minoritário preserva sua exposição econômica via preferenciais com direitos redefinidos, enquanto a Equatorial reforça o controle decisório sobre o núcleo que hoje concentra geração de valor.

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