O release operacional do 3T25 da Equatorial Energia (EQTL3) mostra tração consistente no core de distribuição: a energia injetada consolidada avançou 3,1%, a energia faturada + compensada cresceu 2,6% e as perdas caíram para 17,4% — 1,0 p.p. abaixo do nível regulatório consolidado. Em termos regionais, Norte e Nordeste puxaram o volume, com destaque para PI e MA, enquanto GO e RS mostraram expansão moderada e o AP ficou estável no faturado. Esta combinação de crescimento de mercado com perdas em queda consolida a virada operacional pós‑transmissão e reforça a captura de valor em eficiência e qualidade detalhada na apresentação de setembro, que consolidou o foco em distribuição e a captura via perdas, PMSO e indicadores de DEC/FEC.

Continua após o anúncio

Operacionalmente, o trimestre evidencia execução coordenada: reduções de perdas mais intensas em CEA, AL, GO e CEEE‑D, com quatro distribuidoras já abaixo do limite regulatório; ajuste do efeito de faturamento retroativo do 3T24, que expõe crescimento subjacente de 7,4% na energia faturada + compensada; e avanço de GD elevando a participação na injetada em várias concessões (picos de 18,4% no PI e 16,3% em GO). Esse pano de fundo conversa com a frente regulatória que vem recalibrando base, perdas e produtividade para ancorar o EBITDA‑tarifa — movimento materializado na RTP do Maranhão, que atualizou a base regulatória, fixou perdas e estabeleceu Fator X, reforçando a previsibilidade de receita.

Em renováveis, a geração líquida totalizou 1.315 GWh, afetada por constrained‑off relevante, sobretudo no solar, o que reduziria a 1.894 GWh sem o efeito. A leitura estratégica permanece: a diversificação em eólicas e solares amplia a resiliência de caixa, enquanto a abertura gradual do mercado de baixa tensão e a maior penetração de GD criam oportunidades para ofertas integradas e comercialização, sem desviar o foco de retorno regulado em distribuição. Esse mix adiciona amortecimento de volatilidade a um ciclo de distribuição que já captura eficiência via perdas e qualidade.

No saneamento, a CSA no Amapá segue expandindo cobertura: 98,4 mil economias faturadas em água (19,2 mil com esgoto), cobertura de água em 70,0% (vs. 58,9% no 3T24) e esgoto em 15,3%. Embora o índice de perdas de água ainda seja elevado (62,89%), a trajetória de formalização de base faturável e de aumento de cobertura reforça a tese regulada do braço de saneamento. Já na CEA, a homologação de adicional tarifário de R$ 69,8 milhões a ser recebido em 12 parcelas — mecanismo que se extingue no processo tarifário de 2026 — cria ponte de caixa até a recomposição estrutural prevista no cronograma de RTPs apresentado no Investor Day 2025 (CEA em dez/26), que também detalhou alavancagem, CAPEX e metas de qualidade por concessão. Em conjunto, isso dá previsibilidade ao caixa até a revisão integral do ciclo.

Por fim, a redução de perdas em GO (-1,3 p.p.) e o crescimento moderado de carga, com GD em 16,3% da injetada, reforçam que a execução local vem convergindo para o plano de preparar a RTP de 2028 com penalidades menores e qualidade em alta. Esse esforço encontra suporte de caixa regulatório no curto prazo após o RTA de outubro/25 em Goiás, que elevou Parcela B/VPB e alinhou metas de qualidade e perdas, pavimentando a continuidade da melhora operacional e a captura futura na base remunerada.

Publicidade
Tags:
Equatorial EnergiaEQTL3