A Equatorial Energia (EQTL3) concluiu, em 31 de outubro de 2025, a venda da totalidade das ações da Equatorial Transmissão S.A. para a Infraestrutura e Energia Brasil S.A., por R$ 5,389 bilhões, já com atualização pelo CDI e ajustes contratuais. O preço decorre de um equity value de R$ 5,188 bilhões na data-base de 30 de junho de 2025. Antes do fechamento, houve redução de capital de R$ 988,4 milhões e a dívida líquida do portfólio vendido na data-base era de R$ 3,305 bilhões. O contrato prevê ainda earn-out condicionado ao aproveitamento de benefícios fiscais. Como parte da estrutura, a companhia implementou reorganização societária para segregar Echoenergia Participações S.A., Echoenergia Crescimento S.A. e Equatorial Renováveis, passando a deter participação direta no portfólio Echoenergia. Com isso, a Equatorial deixa de deter participação direta e/ou indireta em transmissão.
Estratégicamente, o desinvestimento encerra o capítulo de transmissão e realoca capital para os eixos que a própria companhia havia priorizado na apresentação de setembro, que antecipava a conclusão do desinvestimento em transmissão no 4T25 e reposicionava a companhia para distribuição (86% do EBITDA) e renováveis. Ao materializar a saída de transmissão e consolidar a Echoenergia diretamente sob a holding, a Equatorial simplifica o portfólio, amplia a visibilidade de retorno regulado e acrescenta opcionalidade em eólicas e solares. O preço final incorporou atualização financeira e ajustes contratuais, preservando potencial incremental via earn-out atrelado a benefícios fiscais — mecanismo que captura valor adicional sem comprometer a disciplina de capital.
Do ponto de vista operacional, este passo consolida a virada já observada no core de distribuição, com ganhos em perdas, qualidade e crescimento de mercado destacados no release operacional do 3T25, que evidenciou a virada operacional pós-transmissão e a captura de valor em perdas, PMSO e indicadores de DEC/FEC. A combinação de foco regulado, execução de eficiência e reorganização societária com acesso direto ao portfólio Echoenergia tende a reforçar geração de caixa e desalavancagem, enquanto a abertura gradual do mercado de baixa tensão e a maior penetração de GD ampliam avenidas comerciais. Nesse arranjo, decisões regulatórias recentes funcionam como ponte de previsibilidade até as próximas RTPs, sustentando o ciclo de investimentos e a manutenção de qualidade nas concessões.
No mesmo sentido, a estabilidade de receita entre ciclos foi reforçada pelo RTA de outubro/25 em Goiás, que elevou Parcela B/VPB e alinhou metas de qualidade e perdas, ilustrando como instrumentos regulatórios suportam a tese pós-transmissão: monetização do ativo vendido, foco em retorno sobre base regulatória, execução em eficiência e qualidade, e diversificação em renováveis. Em síntese, a conclusão da venda é o marco que fecha a fase de portfolio rotation e inaugura um ciclo de alocação integralmente coerente com a estratégia de longo prazo da Equatorial.







