A Auren Energia (AURE3) fechou o 3T25 com prejuízo de R$ 403,7 milhões e EBITDA Ajustado de R$ 772,7 milhões (-10,4% a/a). No acumulado de nove meses, o EBITDA atingiu R$ 3,0 bilhões (+22,3% a/a), com receita líquida de R$ 3.537,4 milhões (+12,8% a/a). O trimestre foi pressionado por GSF médio de 65% (vs. 79% no 3T24) e por curtailment, cujo impacto líquido somou R$ 130 milhões após ganhos de modulação de R$ 65,6 milhões. A geração própria foi de 3.263,1 MW médios (-1,3% a/a), com eólica de 1.510,5 MW médios (87,3% do P90), em um contexto de PLD médio no SE/CO de R$ 252/MWh. Em linhas gerais, o GSF indica a exposição ao risco hidrológico e o curtailment reflete cortes de escoamento em eólicas/solares.
O trimestre, mais adverso em hidrologia e restrições de escoamento (20,7% para eólica e 33,1% para solar no SIN), evidencia por contraste a estratégia da companhia de usar a flexibilidade hídrica para amortecer a volatilidade das fontes variáveis — linha reforçada no debate do CEO sobre o papel das hidrelétricas como “bateria natural”. Operacionalmente, a Auren concluiu a integração da AES Brasil e capturou sinergias recorrentes de PMSO de R$ 58,1 milhões no 3T25 (R$ 212,1 milhões desde a aquisição), com disponibilidade média de 93,3% nos ativos eólicos incorporados. No financeiro, a dívida líquida encerrou em R$ 19,0 bilhões, com alavancagem de 4,9x Dívida Líquida/EBITDA UDM, enquanto o fluxo de caixa operacional após serviço da dívida foi de R$ 327 milhões. Diferentemente de trimestres com hidrologia e preços mais favoráveis, o 3T25 ressalta a importância das sinergias, da modulação comercial e da flexibilidade hídrica para preservar margens e previsibilidade.
No eixo regulatório e societário, a ANEEL aprovou indenização de R$ 498,8 milhões à CESP por investimentos prudentes nas UHEs Jupiá, Ilha Solteira, Jaguari e Paraibuna, cabendo ao MME definir correção e cronograma de pagamento. Esse avanço é a etapa seguinte ao reconhecimento da BRR nas mesmas usinas e dialoga com a agenda de fortalecimento do balanço e monetização de ativos regulatórios. Em paralelo, a companhia iniciou atos preparatórios para uma possível reorganização até 2027, com concentração dos ativos hidrelétricos na CESP e simplificação societária — movimento que tende a consolidar a flexibilidade hídrica como pilar para suavizar choques de GSF e curtailment enquanto o portfólio eólico-solar escala.







