No 3T-25, a Natura Cosméticos reportou prejuízo de R$ 119 mi nas operações continuadas, receita líquida de R$ 5,2 bi e margem EBITDA recorrente do grupo de 11,1% (-350 bps A/A). No Brasil, a pressão veio da desaceleração do varejo desde junho, menor produtividade de consultoras e maior restrição de crédito, enquanto na Hispana o câmbio e indenizações pesaram, com melhora A/A ex-Argentina. No consolidado, o prejuízo de R$ 1,926 bi refletiu impairment não caixa de R$ 2,8 bi, parcialmente compensado por ~R$ 1,0 bi de ganho de marca Avon na Latam; a alavancagem subiu com EBITDA mais fraco, embora a companhia ressalte que, excluindo o efeito do 4T-24 (Chapter 11) no LTM, seria de 1,87x. Apesar da pressão conjuntural, o trimestre está alinhado à travessia final da simplificação e do foco regional inaugurados pelo acordo vinculante para vender a Avon International à Regent, que redesenha o perímetro fora da Latam, clarifica KPIs por geografia e prepara a base para expansão de margem quando normalizarem os efeitos de integração, indenizações e da hiperinflação na Argentina. Ao retirar complexidade não core, a companhia tende a reduzir capital empregado, simplificar TI e logística e ganhar previsibilidade de resultados, enquanto administra mix (Avon e Casa & Estilo) e crédito para proteger margens no curto prazo e sustentar a meta de expansão anual da margem Latam.

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Nas frentes de execução, a companhia informou a conclusão da venda da operação Avon na América Central e Caribe (CARD), desenhada no modelo asset-light (licenciamento + fornecimento), que converte uma operação intensiva em capital em fluxo recorrente de produção e royalties, melhora o giro de estoques e a previsibilidade de caixa. Esse passo materializa a venda da Avon CARD ao Grupo PDC anunciada e reforça a priorização da plataforma latino-americana integrada. Ao mesmo tempo, a redução de sobreposições e o enxugamento do perímetro ajudam a diluir G&A após investimentos em sistemas e inovação realizados no trimestre e a melhorar a leitura de desempenho por marca e país. Em paralelo, a agenda industrial avançou com a conclusão da incorporação da Avon Industrial (migração produtiva para Cajamar e simplificação societária), que elimina transações intercompany, encurta lead times, potencializa créditos fiscais e tende a sustentar a conversão de caixa e a recuperação de margem operacional à medida que as sinergias se consolidem e os efeitos de transição se dissipem.

Com a Onda 2 (segunda etapa de integração Natura + Avon na Latam) declarada como concluída e “ações táticas” sinalizadas para capturar eficiências já no 4T-25, o próximo capítulo depende de estabilidade institucional para fechar desinvestimentos, padronizar TI e preservar o cronograma de integração. Esse corredor foi reforçado pelo 7º aditamento ao Acordo de Acionistas, prorrogando a vigência até 31/03/2026, que dá previsibilidade às decisões em torno do closing internacional, da consolidação de ganhos de eficiência e da disciplina de capital. Em síntese, o 3T-25 foi um trimestre de travessia: resultados ainda pressionados por macro e itens não recorrentes, mas com marcos que concluem fases iniciadas, pavimentam expansão de margem na Latam e deixam 2026 com perímetro mais limpo, menor complexidade e maior foco na execução comercial.

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