Em Fato Relevante de 6/11/2025, a Alpargatas comunicou que o Conselho decidiu não exercer a opção de compra das ações remanescentes da Rothy’s — cláusula que, se acionada, levaria ao controle da empresa. A companhia permanecerá como acionista relevante e seguirá contribuindo via representantes no conselho da Rothy’s. O anúncio dá continuidade aos atos societários iniciados nos Fatos Relevantes de 20/12/2021 e 13/05/2022, e sinaliza preferência por preservar optionalidade, evitando compromissos adicionais de controle e integração enquanto mantém influência estratégica.
A decisão se alinha à lógica recente de disciplina de capital e foco no core, que vem priorizando eficiência, rentabilidade e retorno aos acionistas. Nesse contexto, ganha relevo a redução de capital de R$ 850 milhões aprovada em setembro, sustentada pela leitura de menor necessidade de investimento após ajustes na operação da América do Norte. Ao optar por não avançar no controle da Rothy’s, a companhia reforça a coerência entre o discurso de otimização do balanço e a execução prática: fortalecer Havaianas, preservar caixa e calibrar crescimento orgânico versus M&A oportunístico, sem descasar a governança sobre o ativo investido.
Do ponto de vista operacional, os números mais recentes dão suporte a essa escolha, ao reduzir a pressão por aquisições transformacionais e reforçar a trajetória de melhora estrutural. O 3T25 com o maior EBITDA trimestral da história e dez trimestres de geração de caixa mostra margens em expansão, despesas sob controle e avanço no internacional, especialmente na Europa e nos EUA. Em tal cenário, manter participação relevante na Rothy’s — sem assumir a complexidade e o desembolso associados ao controle — preserva retorno, governança e flexibilidade estratégica para capturar valor conforme a marca evolua, sem comprometer a rota de eficiência do grupo.
No eixo de mercado, a previsibilidade societária e o encadeamento de marcos têm atraído capital institucional, validando a estratégia de disciplina. A entrada do JPMorgan com 5,05% das PNs em 13/10 veio justamente no rastro de marcos regulatórios e financeiros que ampliaram a visibilidade do ciclo de retorno ao acionista. A decisão de não exercer a opção de controle na Rothy’s se insere nessa mesma narrativa: menos risco de execução, mais coerência entre geração de caixa e alocação, e manutenção de influência estratégica sem travar recursos em um movimento que, hoje, não é necessário para sustentar o ciclo de recuperação.







