Na quinta-feira, 23 de outubro de 2025, a Azevedo & Travassos (AZEV3, AZEV4) comunicou que a Nemesis Brasil Participações S.A. protocolou na CVM manifestação pela qual entende não ser devida a OPA (oferta pública de aquisição) decorrente da compra das ações detidas pelo FIP Camaçari. Segundo a investidora, a operação ocorreu a preço de mercado, sem prêmio, com pagamento dilatado, e teve por objetivo “isolar a Companhia de potenciais riscos reputacionais e financeiros” ligados ao antigo acionista; por isso, não teria havido transferência de controle para os fins do art. 254-A da Lei das S.A. Alternativamente, caso a CVM conclua pela caracterização do controle, a Nemesis pediu dispensa da OPA. O comunicado dá continuidade ao fato relevante de 23/09 e constitui um desdobramento do anúncio de setembro, quando a aquisição levou a investidora a 54,38% do capital e foi indicada a protocolização de OPA obrigatória nos termos da lei, conforme a mudança de controle de 23/09/2025 (aquisição pela Nemesis, 54,38% e OPA prevista).

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Do ponto de vista estratégico, a argumentação da Nemesis reforça a narrativa de proteção de valor e simplificação societária, alinhada à agenda da companhia de reduzir riscos e concentrar esforços em execução de contratos e concessões. Essa linha esteve presente quando a B3 estendeu até 30/04/2026 o prazo para reenquadrar as ações ao patamar mínimo de R$ 1,00 — janela tratada como “corredor” para que governança reforçada, capital estruturado e aumento de backlog se traduzam em preço e liquidez. Na ocasião, o movimento foi descrito como continuidade da reestruturação acionária de setembro orientada a isolar riscos reputacionais, como registrado na prorrogação da B3 e continuidade da reestruturação acionária voltada a isolar riscos reputacionais.

Além do aspecto de governança, o desfecho regulatório sobre OPA tem implicações operacionais e financeiras. A A&T estruturou um pacote de financiamento que combina uma ponte de capital de giro e uma linha de longo prazo para as concessões Rota Verde e Rota Agro, com condições precedentes que incluem o fechamento societário e marcos contratuais relevantes (como a assinatura de EPC com a Petrobras). Esse desenho funciona como elo entre o pós-leilão e a fase de capex inicial, dando previsibilidade à mobilização e aos suprimentos — e torna ainda mais relevante a clareza sobre o rito societário e o cronograma regulatório. Essa engenharia foi detalhada no MoU de financiamento com a Jive (ponte de R$ 50 mi e linha de até R$ 414 mi condicionadas ao redesenho societário).

Por fim, a companhia sinalizou que manterá o mercado informado enquanto a CVM aprecia a manifestação da Nemesis — postura coerente com o padrão de interação tempestiva em temas sensíveis. Em 2025, a administração respondeu prontamente a questionamentos e reforçou compromissos de conformidade, o que ajuda a mitigar ruídos e preservar o foco na execução do backlog e na agenda de concessões, como exemplificado no esclarecimento à CVM sobre a Operação Carbono Oculto, com reforço de governança e conformidade.

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