A Desktop (DESK3) reportou no 3T25 lucro líquido ajustado de R$ 35 milhões, receita líquida de R$ 311 milhões e EBITDA ajustado de R$ 164 milhões, com margem de 53% — o maior patamar desde 2020. Em relação ao 3T24, a receita avançou 8% e o EBITDA 11%, com expansão de 1,7 p.p. na margem, enquanto o lucro ajustado recuou 26% na base anual. A base de acessos alcançou 1,198 milhão de casas conectadas (+8% a/a) e 4,8 milhões de casas passadas. O FCO Ajustado foi de R$ 163 milhões e o CAPEX Ajustado somou R$ 88 milhões (28% da receita), levando o indicador FCO + CAPEX Ajustado a R$ 75 milhões, 187% acima do 3T24. A empresa encerrou setembro com caixa de R$ 353 milhões e dívida líquida de ~R$ 1,5 bilhão (2,35x EBITDA proforma). Em outubro, concluiu a 9ª emissão de debêntures de R$ 800 milhões (vencimento 2032) e, com o pré-pagamento da 6ª emissão, reduzirá o custo médio da dívida de CDI + 0,8% a.a. para CDI + 0,3% a.a.
Este desempenho operacional e a melhora do perfil financeiro consolidam a virada de liability management iniciada na 9ª emissão aprovada em setembro, com indexador IPCA e prazo até 2032, voltada a mitigar a sensibilidade ao CDI. Naquele momento, a companhia sinalizou alongamento de duration e coerência entre passivos e ativos de infraestrutura. Agora, o 3T25 combina EBITDA recorde desde 2020, alavancagem em 2,35x e a perspectiva de menor despesa financeira com o pré-pagamento da 6ª emissão. Diferentemente do observado no 2º tri de 2025, quando o CDI mais elevado pressionou o lucro, o trimestre atual evidencia disciplina de capital (CAPEX em 28% da receita) e robustez de caixa, criando amortecedores para a execução do plano.
Na frente de funding e execução do projeto de rede, a conclusão do bookbuilding da 9ª emissão em outubro, com recursos direcionados à expansão e modernização de redes (XGS‑PON, Wi‑Fi 6) até 2032 conecta o ritmo de investimentos reportado no 3T25 ao roadmap de longo prazo. Ao casar debêntures incentivadas (Lei 12.431) com ativos de infraestrutura, a Desktop reduz volatilidade financeira e sustenta a expansão de cobertura (4,8 milhões de HPs) e a evolução de casas conectadas (+8% a/a) sem depender de captações de curto prazo. O salto de 187% em FCO + CAPEX frente ao 3T24 sinaliza maior eficiência de caixa e qualidade do crescimento, enquanto o caixa de R$ 353 milhões preserva flexibilidade para alocar capital de forma seletiva, mantendo foco em retorno ajustado ao risco.
Com o balanço mais previsível e o custo da dívida em queda, cresce a opcionalidade para movimentos estratégicos. Isso dialoga com as conversas preliminares e não vinculantes com a Claro informadas em outubro, que, embora não tenham se convertido em transação, ilustram como a reorganização financeira de 2025 amplia o leque de alternativas — de parcerias a consolidações — sem abrir mão da disciplina de capital. Para o investidor, os vetores-chave a monitorar são: continuidade da expansão de margem, trajetória de alavancagem após o pré-pagamento da 6ª emissão e a conversão de HPs em HCs com ROI sustentado.







