A CBA (CBAV3) entregou no 3T25 um lucro líquido de R$ 131 milhões, alta de 51% versus 3T24 e reversão do prejuízo do 2T25, sustentada por normalização operacional após a manutenção na refinaria de alumina. A receita líquida somou R$ 2,3 bilhões e o EBITDA ajustado foi de R$ 234 milhões (margem de 10%). O preço do alumínio na LME subiu 10% a/a (US$ 2.618/t), enquanto os volumes avançaram: 93 mil t de alumínio líquido produzidas (estável a/a; +9% t/t) e 132 mil t vendidas (+2% a/a; +11% t/t), com destaque para primários (+7% a/a; +18% t/t). No negócio de energia, a receita cresceu 110% a/a, mas o EBITDA ainda foi negativo, influenciado por marcação a mercado; a dinâmica de hedge e o portfólio elétrico seguem determinantes para as margens.
Este desempenho consolida a virada operacional iniciada com o reequilíbrio de volumes e reforça a estratégia de competitividade via energia própria e instrumentos de proteção. A Companhia já havia sinalizado essa direção com a conclusão da aquisição de autoprodução eólica no Complexo Serra do Tigre (60 MWm, suprimento antecipado para 2025), cujo efeito contábil deve aparecer a partir do 4T25. Em paralelo, o swap firmado em 2023 eleva o custo médio para cerca de US$ 100/MWh em 2025 (100 MWm), funcionando como hedge natural e reduzindo a volatilidade do CPV mesmo em trimestres de prêmios pressionados. A futura entrada de Cajuína III (55 MWm, 2027) aprofunda a diversificação do portfólio, enquanto a disciplina financeira — debêntures, pré-pagamentos com garantia SACE e 59% do endividamento atrelado a metas ESG — sustenta a trajetória de alavancagem (2,45x dívida líquida/EBITDA UDM) com custo médio em dólar de 5,72% a.a. e prazo de 5,47 anos.
Diferentemente do 2T25, quando a companhia enfrentou prejuízo e restrições operacionais, o 3T25 combinou normalização de produção com LME mais alta e melhor resultado financeiro, favorecido pela apreciação do real e pelo hedge. Esse quadro está alinhado ao panorama do 3T25 que ressaltou maior margem e a estratégia de energia própria para mitigar volatilidade, inclusive diante de estoques globais em recomposição, prêmios regionais afetados por tarifas e a proximidade do CBAM. Em síntese, os números confirmam a tese de que a combinação de autoprodução renovável, hedge e ajuste de mix comercial sustenta margens em ciclos mais voláteis; os próximos marcos — hedge accounting das NCEs e consolidação do Serra do Tigre no 4T25 — devem testar a continuidade dessa recuperação.







