O panorama de 3T25 da CBA mostra um mercado global de alumínio que saiu do déficit do 2T25 para superávit (123 kt), com LME em média de US$ 2.618/t e prêmios regionais pressionados por tarifas — nos EUA, a alíquota de 50% da Seção 232 elevou o Midwest, enquanto o Rotterdam avançou na antecipação ao CBAM de 2026. Estoques oficiais voltaram a subir após quatro trimestres, embora ainda abaixo do equilíbrio em “dias de consumo”. Mesmo com custos globais de energia em alta e leve avanço da alumina, a companhia relata a maior margem dos últimos anos, favorecida pelo LME mais alto versus 2T25 e apesar da desvalorização do dólar frente ao real. No Brasil, a demanda ficou estável, amparada por veículos leves, ônibus e cimento, com impulso adicional esperado do setor elétrico pelo leilão da Aneel (R$ 5,53 bi).

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Este resultado consolida a estratégia de competitividade via energia própria e de mitigação de volatilidade de custos: a CBA acaba de anunciar a conclusão da aquisição de participação em ativos de autoprodução eólica (60 MWm para a fábrica de Alumínio/SP) no Complexo Serra do Tigre, movimento que fortalece um portfólio energético resiliente e diversificado. Em um trimestre em que o custo global de eletricidade avançou, essa autoprodução tende a suavizar pressões recorrentes e sustentar margens em ciclos de preços, reduzindo a exposição a choques energéticos e à “guerra tarifária” que hoje impacta prêmios e rotas comerciais.

Além disso, a combinação de prêmios elevados e a proximidade do CBAM reforça o valor estratégico de energia renovável na estrutura de custos e de carbono, criando vantagem competitiva no acesso a mercados com requisitos ambientais mais rígidos. No front doméstico, a sustentação da demanda em fundidos, cabos e laminados — somada aos investimentos em transmissão — indica que a CBA pode capturar oportunidades no downstream enquanto navega um cenário global menos apertado (estoques em recomposição), porém ainda volátil. Diferentemente do 2T25, quando houve déficit e restrição de insumos como a soda cáustica, o 3T25 combina recomposição de estoques com prêmios firmes e custos pressionados, contexto no qual a estratégia energética e o ajuste de mix/comercialização tornam-se determinantes para a continuidade da expansão de margens.

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Companhia Brasileira de Alumínio - CBACBAV3