A Lojas Quero-Quero (LJQQ3) encerrou o 3T25 com prejuízo líquido de R$ 42,1 milhões. A RBLD foi de R$ 788,9 milhões (-3,6% a/a) e o SSS recuou 11,6% em um ambiente mais promocional. Diferentemente do 3T24 — quando a base de comparação foi inflada por SSS de +10,6% impulsionado pelas enchentes no RS — a receita operacional líquida somou R$ 695,4 milhões (ante R$ 712,3 milhões no 3T24), traduzindo a pressão de demanda e o efeito de preços mais agressivos no trimestre.
Em rentabilidade, o lucro bruto atingiu R$ 225,5 milhões, com margem bruta sobre a RBLD de 28,6% (-1,1 p.p.). O EBITDA foi de R$ 35,4 milhões (-39,4%) e o EBITDA ajustado ficou em R$ 5,1 milhões, afetados por menor alavancagem operacional e maior custo de capital; o resultado financeiro líquido foi despesa de R$ 44,3 milhões. A margem de serviços sobre a RBLD caiu para 41,3% (47,1% no 3T24), com repasses graduais de taxas ainda em implementação. Mesmo assim, Serviços Financeiros cresceram 13,3% (R$ 235,2 mi) e Cartão de Crédito, 15,1% (R$ 27,3 mi). A carteira VerdeCard com juros alcançou R$ 914 milhões e o atraso acima de 90 dias ficou estável em 11,7% vs. 2T25, sinalizando disciplina de risco em meio ao crédito mais caro.
No balanço, a companhia abriu 5 lojas e terminou setembro com 584 unidades (385 mil m²), mantendo foco em geração de caixa e reafirmando estar no caminho para cumprir o guidance de aberturas no ano. A Dívida Líquida Ajustada ficou em R$ 427,4 milhões (alavancagem de 2,4x), e no 3T25 foram emitidos R$ 145 milhões em debêntures para alongar o passivo. Este movimento dá continuidade ao alongamento e à diversificação de funding observados na 6ª emissão de debêntures (R$ 85 mi) e no reforço via FIDC VerdeCard destacados no 2T25, reforçando a estratégia de atravessar um ciclo de margens pressionadas com liquidez, repasse gradual de custos financeiros e expansão orgânica seletiva.
Em síntese, os números confirmam a combinação de demanda mais fraca (base difícil no RS e maior promoção) com custo de capital ainda elevado, parcialmente compensada pelo crescimento de Serviços Financeiros e inadimplência sob controle. A trajetória de recuperação depende da normalização das comparações no RS, da continuidade dos repasses de taxas e da execução disciplinada do plano de aberturas sem pressionar o caixa — temas que a administração deverá detalhar no webcast de 6 de novembro.







