A ANEEL homologou o Reajuste Tarifário Anual (RTA) da Equatorial Goiás, com efeito médio de 18,5% percebido pelos consumidores (17,0% em alta tensão e 19,0% em baixa tensão), válido a partir de 22 de outubro de 2025. A Parcela B foi atualizada, com a DRA passando de 3.572,9 para a DRP de 3.736,1 (+4,6%). No cálculo do Fator X, a agência considerou Pd (ganhos de produtividade) de 1,1%, T (trajetória de adequação de custos) de -0,4% e Q (qualidade) de -0,4%, resultando em Fator X de 0,4%. Com IPCA de 5,2%, o índice de reajuste da VPB (IPCA – Fator X) ficou em 4,9%. Esse movimento fortalece o caixa regulatório no curto prazo enquanto a distribuidora segue o plano de elevar qualidade e reduzir penalidades em GO, em linha com a agenda do Investor Day que trouxe o cronograma de RTP (GO em out/28) e metas de qualidade e redução de penalidades na distribuidora goiana.

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Diferentemente da Revisão Tarifária Periódica (RTP) — que recalibra a base de ativos, perdas regulatórias e estrutura de custos para todo o ciclo — o RTA recompõe custos e aplica IPCA–Fator X entre as RTPs, funcionando como ponte de caixa e previsibilidade. No caso de Goiás, o reajuste atual reforça a Parcela B e a VPB ao mesmo tempo em que a companhia acelera CAPEX e convergência de DEC/FEC, preparando terreno para a futura RTP. Esse contraste entre instrumentos fica claro quando se observa como a RTP atualiza a Base de Remuneração, calibra perdas e fixa um Fator X mais robusto, como ocorreu na Revisão Tarifária Periódica do Maranhão, com efeito médio de 17,90%, BRL ~70% maior desde 2021 e Fator X de 1,27%. Em conjunto, RTAs e RTPs pavimentam um ciclo 2025–2029 de maior previsibilidade para a receita regulatória e a remuneração do capital.

Estratégicamente, este RTA em Goiás consolida a tese pós-transmissão de concentrar crescimento em distribuição, capturando retorno via eficiência (PMSO), perdas e qualidade, além de reforçar a desalavancagem com receita mais estável. A companhia já vinha sinalizando que decisões regulatórias recentes sustentam o EBITDA-tarifa e a previsibilidade do fluxo de caixa, e o avanço de Parcela B em GO dialoga com essa narrativa de disciplina de capital e execução operacional. Essa coerência aparece na apresentação de setembro, que detalha a tese de distribuição (86% do EBITDA), o modelo de return on asset e como RTPs/RTAs vêm ancorando o EBITDA‑tarifa. Com investimentos relevantes em GO desde a transferência e foco em reduzir penalidades, a expectativa é de melhora estrutural de qualidade, com reflexos positivos na trajetória regulatória até a RTP prevista para 2028.

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