Na apresentação corporativa de setembro, a Equatorial Energia amarra a fotografia do negócio após a inflexão estratégica: EBITDA ajustado LTM 2T25 de R$ 12,24 bilhões, com 86% oriundos da distribuição, e foco em concluir no 4T25 o desinvestimento em transmissão, precificado a EV de R$ 9,4 bilhões (MOIC 7,9x; TIR real 36%). A narrativa é sustentada por governança de full corporation no Novo Mercado (86% do conselho independente), base acionária institucional e ênfase em “cultura de dono” e disciplina de capital. O salto de escala desde 2006 — de R$ 341 milhões de EBITDA para R$ 12,24 bilhões e de R$ 1,01 para R$ 35,12 na ação — decorre de realocação consistente para negócios essenciais. Este movimento dá continuidade à engenharia da virada pós‑transmissão e à agenda de desalavancagem detalhadas no Investor Day 2025.

Continua após o anúncio

Com a distribuição no centro, a companhia detalha o modelo regulatório de return on asset: RAB consolidada de R$ 34,9 bilhões, reconhecimento de CAPEX a cada 4/5 anos, benefícios fiscais (SUDAM/SUDENE) e WACC pressionado pelo custo de capital. O material explicita onde capturar outperformance — PMSO, perdas, multas/compensações, PDD, contingências e sistemas isolados — e como essa captura se intensifica com a realização do CAPEX e sua posterior inclusão na base regulatória. Essa previsibilidade vem sendo ancorada por decisões recentes que atualizaram a receita e calibraram perdas e produtividade, como a RTP do Maranhão, que elevou a BRL em ~70% desde 2021 e reforçou a previsibilidade do EBITDA‑tarifa.

O discurso de “somos o player mais eficiente do setor” encontra respaldo nos indicadores operacionais. A companhia vem reduzindo perdas de forma recorrente, elevando qualidade (DEC/FEC) e expandindo margens nas distribuidoras, ancorada por reajustes e RTPs, enquanto o portfólio de renováveis e a equivalência de saneamento adicionam resiliência ao caixa. Essa trajetória ficou clara nos resultados do 2T25, com EBITDA forte, perdas abaixo do nível regulatório pelo sétimo trimestre e melhora de qualidade, além de avanço em frentes críticas (como Goiás) e maior visibilidade das concessões do MA e do PA após aval da Aneel — peças que sustentam o pipeline e o reconhecimento de investimentos ao longo do ciclo.

A parte não elétrica já é relevante no portfólio (7% saneamento; 7% renováveis/comercialização) e amplia opcionalidade. Em saneamento, a Equatorial opera a CSA no Amapá e detém 15% da Sabesp, enquanto novos leilões até 2027 podem destravar R$ 70 bilhões em oportunidades em um setor que demanda mais de R$ 900 bilhões para universalização. Essa vertente regulada tem mostrado tração de receita, como no reajuste de 8,11% nas tarifas de saneamento no Amapá, ao passo que, em renováveis, os 1,8 GW — 68% eólicos e 32% solares — e a presença em geração distribuída preparam a companhia para explorar a abertura do mercado de baixa tensão com comercialização e ofertas integradas.

Publicidade
Tags:
Equatorial EnergiaEQTL3