A Vale publicou a versão 02 da Política Corporativa POL-0043-G, que organiza a gestão de suas empresas e entidades em nove tipologias (de controladas integrais a OJVs/NOJVs e participações minoritárias), define atributos obrigatórios (classificação única, Executivo Responsável, vice-presidência responsável) e fixa alçadas: participações minoritárias fechadas limitadas a US$ 50 mi, orientação de voto com base na exposição e competência exclusiva do Conselho para deliberações acima de US$ 100 mi em entidades não empresariais; além de delegações ao Comitê Executivo para acordos societários até US$ 400 mi. O VP Executivo de Finanças e RI deverá reportar anualmente a aderência ao plano estratégico, movimentos societários e eventuais não conformidades.
Este marco consolida a espinha de governança que habilita a estratégia de portfólio flexível e disciplina de capital da companhia. É a peça que conecta alçadas, accountability e priorização por retorno — o mesmo racional que pautou a redução seletiva do CAPEX 2025 e o guidance granular de vendas. Ao exigir classificação única das investidas, Executivo Responsável e reporte anual do VP de Finanças e RI, a Vale transforma governança societária em ferramenta de alocação de capital e de execução do planejamento, reduzindo assimetrias entre controladas, OJVs e participações minoritárias e fortalecendo a coerência entre orçamento, metas e performance operacional.
Nas OJVs e NOJVs, a política padroniza presença em conselho, planos de influência e a incorporação do business plan ao orçamento da Vale, além de detalhar orientação de voto conforme exposição e Política de Alçadas. Esse desenho dialoga diretamente com a formação da joint venture na Aliança Energia com energia renovável competitiva e contratos em USD, ao reforçar que parcerias estratégicas devem ter governança ativa, integração de planejamento e critérios claros para deliberações relevantes. Na prática, reduzir a volatilidade de um insumo crítico (energia) em operações eletrointensivas e atrelar decisões societárias a limites de materialidade aumenta previsibilidade de caixa, melhora o hedge natural em dólar e eleva a qualidade do risco percebido por credores e investidores.
Ao avocar indicações de agentes de governança em entidades materiais (MRS, VLI, Samarco, Fundação Vale, Fundação Renova, Vale Base Metals, Vale Canada, Salobo, Onça Puma e PTVI), o Conselho dá sinal inequívoco de que ativos e instituições críticas terão supervisão reforçada. Isso se alinha ao avanço recente em gestão de riscos socioambientais e transparência, cuja convergência foi detalhada no webinar ESG que mostrou progresso em reparação, segurança de barragens e clima. Em conjunto, a nova política transforma governança societária em alavanca de execução: sustenta a previsibilidade operacional, protege a disciplina de capital e cria um fio condutor entre estratégia, decisões de voto e entrega de projetos, reduzindo o prêmio de risco e favorecendo a captura de valor por qualidade.







