Na quinta-feira, 23 de outubro de 2025, a Azul (AZUL4) apresentou seu Plano de Negócio de outubro no contexto do Chapter 11, projetando alavancagem líquida de 2,5x na saída estimada para fevereiro de 2026 e liquidez disponível ajustada de US$ 536 milhões. O plano revisado mantém os princípios de julho, agora incorporando acordos de frota e OEM que reduzem obrigações: passivo de arrendamentos estimado em US$ 2,284 bilhões na saída (-32,9% vs. pré-petição), com queda de pagamentos de aluguel em 2026/2027, apoiada pela manutenção de E1s, menor ritmo de E2 e rejeição de A330neo. O movimento dá continuidade ao roteiro formalizado no protocolo do Plano e do Disclosure Statement em setembro, reforçando a disciplina de processo antes das etapas de votação e confirmação.
Estratégia e execução convergem na frente operacional: a empresa eleva o EBITDA ajustado ex-aluguel do plano de julho e assume economias de R$ 747 milhões (com potencial adicional de R$ 160 milhões) via produtividade e contratos já fechados, ao mesmo tempo em que simplifica a malha com foco em hubs e otimização internacional. Esse desenho consolida a virada iniciada pelas renegociações de frota, que atacam o CASK estrutural e preservam rotas de maior contribuição; o checkpoint mais recente reforçando essa tese foi o MOR de agosto, com margem EBITDA de 35,2% e homologação do acordo com a AerCap, além de rejeições que somam mais de US$ 1 bilhão em economias, sustentando a trajetória de eficiência na transição.
No pilar de funding, a capitalização pro forma combina o DIP de US$ 1,571 bilhão com Backstopped ERO de US$ 650 milhões, investimento estratégico de US$ 200 milhões, novas notas 1L de US$ 1,210 bilhão e dívida adicional de US$ 250 milhões para fortalecer a liquidez na saída, endereçando o pagamento do DIP, taxas/juros PIK e um colchão de caixa. Esse arranjo financeiro consolida a execução stand-alone e alinha a desalavancagem com a simplificação de frota — caminho que se fortaleceu após o encerramento das tratativas com a Abra e o reforço do backstop de US$ 650 milhões para a capitalização, reduzindo variáveis exógenas e clarificando a prioridade de normalização societária.
Do lado dos resultados, os números preliminares do 3T25 mostraram despesas operacionais R$ 79,3 milhões abaixo do planejado, apesar do combustível 2,7% mais caro e maiores contingências com clientes; a margem de EBITDA ajustado ficou em 34,6%, 0,3 p.p. acima do plano de julho. Esses sinais confirmam a execução gradual prevista no cronograma do Chapter 11 e dialogam com a arquitetura de balanço que mira eliminar dívida e recompor capital; nesse sentido, o plano já havia sido delineado no plano inicial de reorganização protocolado em setembro, com meta de remover cerca de US$ 2 bilhões em dívida e captar aproximadamente US$ 950 milhões, fornecendo a base para a trajetória de alavancagem de 2,0x em 2026 para 0,8x em 2029.







