Nesta quarta-feira, 15 de outubro de 2025, a Neoenergia (NEOE3) divulgou prévias operacionais não auditadas do 3T25, integradas ao IBE-WATCH da controladora Iberdrola. A energia injetada total cresceu 2,3% e a energia distribuída avançou 0,8% ante 3T24. Na geração, foram 2.090 GWh (-18% a/a), enquanto no 9M25 somaram 9.210 GWh (+2,6%). A menor geração hídrica no trimestre refletiu a venda de Baixo Iguaçu; a eólica recuou no 3T25 mas cresceu no acumulado por melhores ventos; a solar teve menor disponibilidade; e a Termopernambuco não despachou no 3T25, gerando 14 GWh no 9M25 sob o novo Contrato de Capacidade. A capacidade instalada considerada foi de 4.167 MW. Na distribuição, destacam-se: Coelba (residencial +3,2%), Elektro (residencial +2,6%; industrial -1,6%), Pernambuco (residencial +3,7%; industrial -1,5%), Cosern (residencial +8,2%; industrial +4,5%) e Brasília (residencial +5,0%; industrial +5,3%). O documento nota que os mercados foram ajustados para compensar migrações de GD nas RTP de 2023 e 2025.
Na leitura estratégica, os volumes positivos de energia injetada e distribuída, apesar da menor geração no trimestre, reforçam que o motor da tese segue nas redes. Em Brasília, onde residencial e industrial avançaram 5,0% e 5,3% no 3T25, a previsibilidade de receita foi recentemente reforçada pela recomposição de custos e pela remuneração de CAPEX via Parcela B — dinâmica evidenciada no reajuste tarifário aprovado para a Neoenergia Distribuição Brasília em outubro, que sustenta o EBITDA regulatório enquanto a demanda se normaliza.
Além disso, a evolução por área de concessão expõe padrões distintos de consumo que a gestão do portfólio de compra e a digitalização de rede precisam endereçar: na Elektro, o residencial avançou 2,6% e o industrial cedeu 1,6%; na Coelba, o residencial cresceu 3,2% e o comercial recuou 3,6%. Esse mosaico exige calibragem fina de perdas, qualidade e investimentos que entram gradualmente na base regulatória e influenciam o Fator X. O arcabouço que ancora essa disciplina ficou claro no reajuste da Elektro aprovado em agosto, com Parcela A pressionada por encargos e Parcela B refletindo CAPEX e eficiência, conectando volumes operacionais a uma trajetória de retorno estável no ciclo de redes.
Sob essa ótica, as prévias do 3T25 funcionam como ponte entre operação e estratégia: demanda residencial sustentando a energia distribuída, ajustes tarifários protegendo o caixa diante de encargos crescentes, e decisões de portfólio que reduzem a volatilidade de geração (desinvestimento em Baixo Iguaçu) e reposicionam ativos (Termopernambuco sob contrato de capacidade). A integração das informações ao IBE-WATCH reforça o alinhamento com a controladora e a prioridade em redes e transmissão — direção tornada mais nítida após o contrato para compra da fatia da Previ pela Iberdrola, que simplifica a governança e reforça o foco em redes, abrindo espaço para alocação de capital mais ágil, reciclagem de ativos e execução coordenada.
No horizonte de longo prazo, o desempenho de Pernambuco (residencial +3,7% no trimestre) dialoga com a necessidade de ciclos plurianuais de CAPEX em qualidade, combate a perdas e digitalização — investimentos que migram para a base regulatória e são remunerados pela Parcela B, retroalimentando eficiência. A visibilidade desse ciclo foi consolidada na prorrogação da concessão da Neoenergia Pernambuco por 30 anos, reduzindo riscos de fim de contrato, ampliando a previsibilidade até 2060 e sustentando a narrativa de que a expansão de volumes observada nas prévias 3T25 tende a se refletir, com disciplina, em métricas financeiras e de qualidade nos próximos resultados.







