São Paulo, 13 de outubro de 2025 — A Camil Alimentos aprovou a 15ª emissão de debêntures simples, não conversíveis e quirografárias, em até quatro séries, via colocação privada, no montante de R$ 1,0 bilhão com possibilidade de lote adicional de R$ 250 milhões atrelado à demanda do bookbuilding dos CRA vinculados (até R$ 1,25 bilhão). As debêntures lastrearão a 389ª emissão de CRA da Eco Securitizadora, a ser distribuída publicamente sob regime de garantia firme e rito automático (Resoluções CVM 160 e 60; CMN 5.118). O bookbuilding definirá número de séries, alocação, taxa e volume, podendo cancelar séries conforme a demanda. Os vencimentos vão de 2030 a 2035, com a 1ª série referenciada à DI (teto de 105% do CDI) e demais séries atreladas a taxa prefixada ou NTN-B acrescida de spreads máximos. O movimento sugere alongamento de duration e diversificação de custo de capital após um ciclo robusto de investimentos, em linha com o resultado do 2T25, com alavancagem em 4,1x e capex concentrado em Cambaí (RS).

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Na prática, atrelar debêntures a CRA conecta o funding a recebíveis do agronegócio, ampliando a base de investidores e casando prazos com projetos industriais e ganhos de eficiência. Com amortizações entre 2030 e 2035 e remunerações definidas em mercado via bookbuilding, a Camil sinaliza busca por previsibilidade de caixa e mitigação de risco de refinanciamento em um ambiente de commodities volátil. Essa arquitetura financeira conversa com o pipeline de eficiência energética (como a termelétrica a biomassa prevista para 2026), a expansão de capacidade no Rio Grande do Sul e a necessidade de capital de giro para originação de grãos, preservando disciplina de estrutura de capital e flexibilidade para executar o plano industrial.

Além do vetor industrial, a emissão também dialoga com a estratégia de internacionalização e diversificação geográfica, que elevou a relevância das operações fora do Brasil e exige integração operacional e logística. A entrada no mercado paraguaio acrescenta originação e sinergias no Cone Sul, criando demanda por funding de prazo mais longo e aderente a recebíveis do agronegócio — coerente com a estrutura de CRA desta oferta. Esse capítulo dá continuidade à conclusão da aquisição da Villa Oliva no Paraguai e reorganização societária, que posicionaram a companhia para capturar eficiências e reduzir a dependência do ciclo doméstico do arroz.

Por fim, ao optar por um instrumento que tende a alongar passivos enquanto precifica em mercado, a companhia preserva flexibilidade para manter sua política de retorno ao acionista conforme a geração de caixa evoluir. Esse equilíbrio entre crescimento, estrutura de capital e remuneração foi reiterado pela distribuição de proventos aprovada em setembro, e a nova captação funciona como mais um passo para compatibilizar investimentos, integração internacional e previsibilidade financeira, reduzindo a necessidade de refinanciamentos de curto prazo.

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