O reporte SUSEP de agosto/25 da Porto Seguro (PSSA3) mostra um quadro misto no Auto: prêmios diretos de R$ 1,37 bi (-2,4% a/a) e sinistralidade de 59,0% (+1,4 p.p.), enquanto, nos 8M25, os prêmios diretos somam R$ 10,70 bi (+3,5% a/a) e os prêmios ganhos R$ 10,59 bi (estáveis). No mês, prêmios ganhos de R$ 1,37 bi (+2,4% a/a). O setor de Auto totalizou R$ 5,31 bi em agosto (+2,0% a/a) e R$ 39,87 bi nos 8M25 (+5,4%). Patrimoniais + Transportes avançaram 10,9% (sinistralidade de 29,8%) e Vida cresceu 12,8% (sinistralidade de 34,1%). O comissionamento do Auto foi a 22,2% (vs. 21,3% a/a), com market share de 26,8% já considerando a fusão entre HDI, Liberty e Sompo. A leitura sugere acomodação da série, com leve pressão em Auto e suporte dos ramos não-auto, enquanto a aceleração de prêmios ganhos começa a aparecer após um 7M ainda morno, em linha com o reporte setorial de julho (7M25), que cobrou aceleração de prêmios ganhos e a convergência da sinistralidade à faixa do guidance.

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Em agosto, a Porto cresceu menos que o mercado no Auto (queda de 2,4% a/a vs. +2,0% do setor), o que ajuda a explicar um market share ligeiramente abaixo do patamar observado no meio do ano. O comissionamento permaneceu na casa de 22%, sinalizando competição por canais, mas sem deteriorar os ramos não-auto, que seguem amortecendo margens. A sinistralidade do mercado ex-Porto recuou (56,2%), enquanto a Porto subiu para 59,0%, reforçando a necessidade de execução contínua em preço, seleção de risco e frequência. Esse mosaico dialoga com a trajetória de normalização e a dinâmica competitiva já vistas no meio do ano, quando a companhia combinou ajuste técnico e defesa de participação mesmo em um ambiente setorial mais consolidado, como indicado na normalização técnica de junho e maior disputa por canais.

Importante lembrar que os dados mensais seguem o padrão SUSEP GAAP e podem divergir dos números IFRS que serão detalhados no próximo release trimestral; por isso, a série mensal funciona como termômetro tático de precificação, subscrição e mix entre linhas. Se, adiante, a sinistralidade do Auto voltar a convergir para a faixa indicada no guidance e os prêmios ganhos mantiverem a aceleração, a tese de margens mais estáveis com diversificação suportando o resultado tende a se fortalecer. Esse pano de fundo tem servido também de base para a disciplina de capital e previsibilidade na remuneração do acionista, evidenciadas pelo JCP do 3º trimestre aprovado em 22 de setembro, ancorado na geração de caixa e no desempenho robusto do 2T25.

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