Na segunda-feira, 13 de outubro de 2025, a PetroReconcavo (RECV3) concluiu a transação de farm-out de US$ 5 milhões com a Mandacaru Energia, formalizada em 10 de outubro. O acordo envolve a venda de 50% de participação e a transferência da operação em sete concessões no Rio Grande do Norte — Acauã, Baixa do Algodão, Fazenda Curral, Fazenda Malaquias, Pajeú, Rio Mossoró e Três Marias —, criando um consórcio regido por Joint Operating Agreement (JOA). O pagamento foi estruturado em 20% no fechamento, 15% em seis meses e 65% como contrapartida de investimentos ao longo de até dois anos. Com isso, a parceria, que já operava Cardeal e Colibri com crescimento de produção, passa a abranger nove concessões sob gestão compartilhada, reforçando a alocação de capital em ativos com maior retorno.

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Ao formalizar o consórcio com JOA e atrelar parte relevante do preço a CAPEX de desenvolvimento, a companhia dá continuidade a um padrão de governança e disciplina de capital no Rio Grande do Norte. Esse desenho ressoa a aquisição de 50% do midstream de gás no RN e JOA com a Brava, que instituiu comitê operacional, influência em orçamento e métricas de eficiência. A mensagem estratégica é consistente: sempre que possível, a PetroReconcavo compartilha risco, preserva caixa e aumenta previsibilidade por meio de estruturas de co-gestão. No farm-out, a especialização operacional da Mandacaru acelera a curva de produção nas concessões transferidas; no midstream, a governança compartilhada mitiga curtailment e dá estabilidade ao escoamento, criando uma base mais robusta para capturar o valor incremental dos projetos no Potiguar.

No óleo, o movimento também conversa com a estratégia de ampliar monetização e reduzir descontos logísticos. A ampliação da parceria em nove concessões tende a ganhar tração em um ambiente de rotas mais diversificadas e previsíveis, especialmente após o avanço do corredor marítimo no Nordeste. Esse pilar foi institucionalizado no contrato de 13 anos no Porto do Pecém (take-or-pay) que inaugurou a rota marítima de óleo, cujo desenho em fases acelera time-to-market antes mesmo da tancagem definitiva. Ao combinar farm-out (que libera capital e adiciona operador especialista) com rotas de escoamento mais eficientes, a empresa busca elevar netback, diluir riscos de concentração e manter a disciplina financeira que sustenta o foco em ativos de maior atratividade econômica.

Operacionalmente, o farm-out chega quando a companhia vem administrando transições de fase e suavizando a variância dos volumes por meio de intervenções e aprimoramentos de infraestrutura. Em outubro, a leitura de portfólio foi de continuidade: normalização no Potiguar, ajustes no Bahia e redução de sensibilidade a gargalos. Nessa linha, a produção de setembro e o marco da repressurização de Tiê, somados à blindagem da rota de gás no RN, mostraram que a tese de resiliência vem se materializando: workovers e gestão de pressão no Bahia equilibram declínios naturais, enquanto a integração do gás e o novo corredor do óleo no Nordeste ancoram a previsibilidade. A conclusão do farm-out, portanto, não é um evento isolado; ela consolida a mesma lógica de portfólio otimizado, capex disciplinado e governança compartilhada que tem estruturado a evolução recente da PetroReconcavo.

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