Nesta segunda, 18 de agosto de 2025, a PetroReconcavo (RECV3) confirmou a assinatura, em 16 de agosto, de um contrato de 13 anos com a Terminais Marítimos do Brasil S.A., do Grupo Dislub Equador, para cessão de espaço de armazenagem e serviços de movimentação de petróleo bruto no terminal a ser construído no Porto do Pecém (Píer 2), no Ceará. O acordo prevê tanques cativos de uso exclusivo, capacidade mínima de 40.000 m³/mês (cerca de 250 mil barris/mês) e remuneração por volume movimentado, com reajuste anual pelo IPCA e cláusula de Take or Pay. Haverá duas fases: a fase I, em até 12 meses, com skids de transferência e interligação por dutovias para viabilizar venda direta no píer; e a fase II, em até 36 meses, com construção da tancagem dedicada pela Dislub. O licenciamento do terminal começa agora, e a companhia contratará transporte rodoviário até Pecém, além de serviços de comercialização e soluções fornecidas diretamente pela CIPP.

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Estratégica e narrativamente, o movimento consolida o pilar de “novas rotas” do Programa de Resiliência: a empresa avança de um escoamento concentrado para uma malha multimodal que melhora preço realizado e previsibilidade de resultados. Essa direção dá continuidade à estratégia de diversificação logística e rotas alternativas em Guamaré destacada na apresentação de RI de agosto, que já apontava midstream como alavanca para reduzir gargalos e sensibilidade ao Brent. Ao abrir um corredor marítimo no Pecém, a PetroReconcavo cria redundância operacional, acelera time-to-market com a fase I antes da tancagem definitiva, e endereça o objetivo explícito de reduzir os descontos do sistema atual de tratamento e logística de óleo, monetizando a qualidade do blend produzido no Rio Grande do Norte. A estrutura contratual com Take or Pay adiciona visibilidade de base de custos e volumes, reforçando a previsibilidade de caixa sob um arcabouço de hedge e alavancagem conservadora.

No eixo financeiro, a decisão se apoia em um balanço preparado para sustentar infraestrutura crítica e prazos longos. A engenharia de capital recente ampliou a folga para projetos de logística e midstream, com custo de dívida competitivo e duration adequada ao cronograma das fases I e II do Pecém. Nesse sentido, a captação de R$ 500 milhões em debêntures dolarizadas (5,66% a.a., duration de 5,2 anos) fortaleceu o caixa para modernização, integridade e expansão, reduzindo o custo de oportunidade de alternativas de escoamento. Ao combinar contratos take-or-pay, prazos de construção escalonados e funding de longo prazo, a companhia mitiga risco de execução e busca capturar ganhos de netback via rota marítima, sem abrir mão da disciplina financeira que sustenta dividendos e um CAPEX focado em retorno risco-ajustado.

Operacionalmente, o anúncio do Pecém mantém o padrão observado em 2025 de destravar gargalos e ampliar rotas de monetização, ainda que por frentes distintas (óleo e gás). O avanço no Nordeste vem em camadas complementares: modernização dos ativos, conexões terrestres e novos pontos de escoamento. Esse encadeamento ficou evidente com a entrada em operação do gasoduto de Tiê em 9 de julho e a estabilização da produção em julho, marco que já começou a materializar receitas adicionais de gás e reduzir dependências. Agora, ao adicionar uma alternativa marítima para o óleo em Pecém — com solução provisória (fase I) e tancagem dedicada (fase II) — a PetroReconcavo evolui de iniciativas pontuais para uma arquitetura logística integrada, aumentando resiliência, diluindo riscos de concentração e potencialmente elevando o preço realizado pela qualidade do seu petróleo.

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