A Azul (AZUL4) reportou no 2T25 lucro líquido de R$ 1,293 bilhão, EBITDA de R$ 1,143 bilhão (margem de 23,1%) e receita recorde para um segundo trimestre de R$ 4,94 bilhões. Em relação ao 2T24, a receita avançou 18,4% e o EBITDA cresceu 8,6%, ainda que a margem operacional tenha recuado para 7,7% (de 10,6%). O RASK subiu levemente para R$ 0,3853 e o CASK a R$ 0,3557, refletindo câmbio mais pressionado, inflação e maior depreciação da frota. A liquidez total alcançou R$ 7,8 bilhões e a imediata R$ 3,3 bilhões, com alavancagem em 4,9x (dívida líquida/EBITDA UDM) após conversão de mais de R$ 1,6 bilhão em notas 2029/2030 em ações.

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Operacionalmente, a companhia expandiu a capacidade (ASK) em 17,5%, puxada por +36,8% nas rotas internacionais e +12,9% no doméstico, transportando 7,98 milhões de passageiros (+7,7% a/a). O RPK aumentou 19,3% e a taxa de ocupação subiu 1,3 p.p., para 81,5%. O mix seguiu favorável ao diversificar fontes de margem: negócios auxiliares e unidades adjacentes responderam por 22,5% do RASK e 37,5% do EBITDA, com Azul Viagens crescendo mais de 45% em reservas brutas, Azul Cargo acima de 14% em receita, internacional acima de 50% e o programa de fidelidade com +8% em faturamento bruto. No custo, o CASK subiu 4,1% a/a, mas caiu 5,6% vs. 1T25, apoiado por combustível -11,3%, eficiência de consumo (-3,0%) e produtividade (ASK por FTE +20,5%).

Os números vêm acompanhados de marcos do Chapter 11 que influenciam diretamente a trajetória de custos e a flexibilidade operacional. Em 13 de agosto, a companhia obteve a homologação do acordo com a AerCap e a rejeição de contratos de arrendamento inoperantes, medida que deve destravar mais de US$ 1 bilhão em economias e acelerar a simplificação de frota sem afetar a malha essencial. Esses ajustes estruturais tendem a reduzir o CASK estrutural ao retirar passivos ociosos e realinhar termos com a principal lessor, ao mesmo tempo em que preservam capacidade para rotas de maior contribuição. Combinadas às aprovações preliminares e finais do financiamento DIP e aos Acordos de Apoio firmados com credores e parceiras aéreas, as decisões reforçam a mensagem da administração de continuidade plena das operações durante a reestruturação.

Este movimento consolida a estratégia apresentada no plano de reestruturação atualizado em julho, com simplificação de frota e meta de saída entre dezembro/25 e fevereiro/26, que prevê eliminar mais de US$ 2 bilhões em dívidas, reduzir a frota para 172 aeronaves até 2027 e ancorar a queda da alavancagem para 2,0x no fim de 2027. À luz do 2T25, a alavancagem em 4,9x e a liquidez robusta funcionam como ponte para a normalização, enquanto o DIP de US$ 1,6 bilhão garante combustível financeiro para a transição. A combinação de frota mais eficiente, malha concentrada em hubs e metas de produtividade cria base para margens mais saudáveis quando o ciclo setorial amadurecer, sustentando a tese de recuperação operacional com disciplina de capital.

Do lado do funding, a Azul já havia estruturado o backstop commitment de US$ 650 milhões para a capitalização, que serve de âncora para a etapa de reforço de capital prevista no plano. A conversão de mais de R$ 1,6 bilhão em notas com vencimentos 2029/2030 em ações sinaliza avanço prático na simplificação da estrutura de capital, reduzindo encargos futuros. Em paralelo, a aprovação do DIP final em 24 de julho e o acesso a parcelas adicionais no fim do mês ampliam a previsibilidade de caixa durante a execução do plano. Esse encadeamento — redução de passivos de leasing, capitalização assegurada e liquidez reforçada — fortalece a trajetória de desalavancagem e diminui o risco de refinanciamento na saída do processo.

Na dinâmica de curto prazo, os resultados do trimestre dialogam com a evolução operacional já visível no pico do inverno brasileiro. A melhora de NPS em mais de 33 pontos desde dezembro reforça o foco em experiência, vetor relevante para yield e receitas auxiliares. Em termos de tendência, vale notar que a companhia havia divulgado resultados operacionais de junho, com margem EBITDA de 25,6% e margem operacional de 9,5%, sugerindo que a compressão de margem trimestral agregada decorre de efeitos de mix, sazonalidade e transição da frota, mais do que de deterioração subjacente. Assim, o 2T25 funciona como capítulo de execução do plano: crescimento disciplinado, ganhos de eficiência pontuais e alicerces financeiros para a próxima fase da reestruturação.

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