A Neoenergia (NEOE3) informou em 11 de setembro de 2025 que a controladora Iberdrola Energía S.A. firmou contrato para comprar a totalidade da participação da Previ (30,29% do capital) por R$ 11,95 bilhões, a R$ 32,50 por ação, sujeito a ajustes usuais. Concluída a operação – que depende de autorização da Aneel e tem fechamento previsto para o 4º trimestre de 2025 – o grupo Iberdrola passará a deter cerca de 83,8% do capital, e o acordo de acionistas de 2017 entre Iberdrola e Previ será extinto.
Estratégicamente, o movimento consolida o alinhamento societário e encerra meses de especulações sobre recomposição de controle. Diferentemente de julho, quando a companhia negou qualquer decisão sobre OPA em resposta a questionamentos do regulador, a transação atual dá um desfecho concreto ao capítulo societário marcado por expectativas em torno do apetite da controladora por redes e pela disputa de influência com a Previ, como registrado no esclarecimento à CVM em julho sobre OPA e rumores de disputa societária entre Iberdrola e Previ. Ao elevar a fatia e extinguir o acordo de 2017, a Iberdrola simplifica a governança e cria espaço para decisões mais céleres de capital e portfólio.
O racional econômico também é claro: a Iberdrola vem sinalizando foco no negócio de distribuição e transmissão, em um ambiente regulatório que remunera investimentos com previsibilidade. No Brasil, a Neoenergia tem capturado essa lógica via revisões e reajustes que recompõem a Parcela B, ao mesmo tempo em que gerencia custos não controláveis na Parcela A. Exemplo recente foi a aprovação do reajuste da Elektro, cujo desenho tarifário evidenciou a continuidade do ciclo de redes e a remuneração de CAPEX com ganhos de eficiência, como visto no reajuste tarifário da Elektro aprovado em agosto, que reforçou a remuneração do ciclo de redes via Parcela B. Esse pano de fundo regulatório ajuda a explicar por que a controladora decide aumentar a exposição ao ativo brasileiro agora.
Com maior controle e governança simplificada, a tendência é acelerar alocação de capital em frentes de crescimento e reciclagem de ativos, preservando a disciplina financeira. Nos últimos trimestres, a Neoenergia mostrou execução consistente nesse playbook, monetizando projetos maduros de transmissão, desconsolidando dívidas associadas e liberando recursos para novas frentes, conforme a estratégia de rotação de ativos na transmissão com venda de 50% de lotes e desalavancagem associada. A combinação de fortalecimento societário, ambiente regulatório estável e rotação seletiva sustenta a narrativa de foco em redes e eficiência, enquanto a companhia mantém o mercado informado sobre os próximos passos regulatórios até o closing no 4º trimestre.







