A Aneel aprovou, em 19 de agosto de 2025, o reajuste tarifário da Elektro Redes S.A., distribuidora do grupo Neoenergia, com efeito médio de 11,88% a partir de 27 de agosto. O impacto por classe é de 11,62% na baixa tensão e 12,39% na alta e média tensão. Na composição, a Parcela A avançou 12,83% (R$ 7.266 milhões), pressionada sobretudo pelo aumento de 28,26% dos encargos setoriais e pelo preço médio de repasse dos contratos de compra de energia fixado em R$ 252,83/MWh. Já a Parcela B variou 1,30% (R$ 3.107 milhões), refletindo a inflação (IGP-M de 2,96%) deduzida do Fator X (1,67%), que captura ganhos de eficiência. Este ajuste consolida a continuidade de efeitos regulatórios que já haviam sustentado os resultados do 2T25 já beneficiados por reajustes de Parcela B em outras distribuidoras do grupo.

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Do ponto de vista estratégico, o movimento reforça a lógica do ciclo de redes: investimentos em distribuição entram gradualmente na base regulatória e são remunerados na Parcela B, enquanto itens não gerenciáveis (energia, transmissão e encargos) fluem pela Parcela A. A Neoenergia tem financiado esse ciclo com capital de longo prazo e de perfil verde, reduzindo custo e alongando prazo da dívida — um exemplo foi o financiamento de €300 milhões com o BEI para investimentos na Coelba, que ilustra a disciplina de funding para sustentar CAPEX em qualidade, digitalização e redução de perdas, elementos que convergem para o Fator X e a trajetória de eficiência das distribuidoras.

Sob a ótica operacional, o ambiente de mercado também ajuda a explicar a calibragem tarifária: no 2º trimestre, as áreas de concessão do grupo registraram avanço de 2,3% na energia injetada e expansão da geração distribuída no 2T25, fatores que exigem reforço de rede e gestão ativa do portfólio de compra. Na decisão atual, o preço médio de repasse de R$ 252,83/MWh e a alta dos encargos setoriais (28,26%) aumentaram a Parcela A, enquanto a Parcela B refletiu apenas a inflação líquida do Fator X, mantendo a sinalização de eficiência. Em conjunto, o reajuste da Elektro encaixa-se na narrativa de continuidade regulatória e financeira da Neoenergia, equilibrando custos não gerenciáveis, remuneração de investimentos e estabilidade para o ciclo de redes.

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