Kepler Weber (KEPL3) aprovou um novo programa de recompra de até 2.100.000 ações ordinárias, o equivalente a 1,21% das ações em circulação. As aquisições serão feitas em bolsa, a preço de mercado, com prazo de até 18 meses, encerrando em 26 de fevereiro de 2027. Na data do fato relevante, a companhia possuía 173.074.197 ações ON em circulação, 6.388.280 em tesouraria e 257.653 detidas por administradores. O objetivo é manter os papéis em tesouraria para eventual cancelamento ou alienação, sem redução do capital social. Os recursos virão de reservas de lucro e de capital, além do resultado já realizado no exercício, e a execução ficará a cargo da Diretoria Executiva.

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Este movimento reforça a disciplina de alocação de capital e a política de retorno ao acionista. Ele dá continuidade à decisão do Conselho de distribuir recursos via proventos de R$ 25 milhões aprovados em agosto de 2025 (dividendos e JCP), evidenciando que a companhia combina remuneração direta com a flexibilidade de recompras para otimizar a estrutura de capital ao longo dos ciclos do agronegócio. Ao optar por recompras com reservas e sem reduzir o capital social, a administração preserva optionalidade para cancelamento futuro e suaviza eventuais oscilações de preço, além de sinalizar confiança no valor intrínseco do negócio no médio prazo.

Ao mesmo tempo, a decisão aparece ancorada em fundamentos operacionais. Apesar de pressão em margens no ano, a companhia tem indicado retomada de ritmo comercial e melhor previsibilidade, com carteira de pedidos mais robusta, diluição de custos fixos ao longo do semestre e sinais de normalização do ambiente competitivo. Esses vetores tendem a sustentar a geração de caixa e a reduzir a volatilidade entre trimestres, abrindo espaço para uma execução prudente do programa. Nesse contexto, a empresa reportou sinais de recuperação no 2T25, com a maior volumetria de embarques em 10 anos e backlog 13,8% superior a jun/24, o que corrobora a base para decisões de retorno de capital. Além disso, a concentração de EBITDA em junho sugere aceleração no final do trimestre e maior tração para o segundo semestre, reduzindo o risco de execução do cronograma de recompras.

Do ponto de vista estratégico, a recompra convive com alocação seletiva para crescimento em adjacências. A companhia vem construindo um portfólio mais tecnológico e de maior recorrência, aprofundando integração entre equipamentos, automação e serviços para capturar valor além da venda de projetos. Essa combinação tende a suavizar a ciclicidade do agro, sustentar margens e apoiar retornos consistentes aos acionistas. Exemplo disso foi a aquisição da Procer Automação por R$ 5,7 milhões, que fortalece a oferta em automação e serviços e se alinha à agenda KW 2030 de diversificação e aumento de valor agregado. Ao equilibrar M&As táticos com remuneração recorrente, a Kepler sinaliza prioridade clara: preservar disciplina financeira, acelerar iniciativas que elevam margens e recorrência e devolver capital quando não há alternativas superiores de investimento.

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