A Azevedo & Travassos Energia (AZTE3) reportou no 2T25 lucro líquido de R$ 575 mil e receita líquida de R$ 770 mil (+72,3% versus 1T25), com margem bruta de 62,6%. A produção somou 15.290 boe no trimestre, distribuída entre os Polos Barrinha (7.989 boe), Porto Carão (5.361 boe) e Periquito (1.940 boe). Apesar do EBITDA negativo em razão de despesas operacionais e do resultado financeiro, o período reflete aceleração da execução no RN, sustentada por CAPEX de R$ 5,3 milhões voltado à perfuração no Campo de Andorinha, restauração de poços de gás e projetos de engenharia. Destaques regulatórios incluíram redução de royalties em Tanatau e prorrogação de concessão no bloco 610, enquanto a administração reforçou foco em ampliar reservas, incrementar produção e consolidar a estrutura financeira após a oferta com bônus de subscrição.
O ritmo de receita e a ativação do gás no Periquito consolidam a estratégia comercial já desenhada no contrato de gás natural de 36 meses assinado pela subsidiária Phoenix, que estruturou a monetização do portfólio de gás e deu previsibilidade à certificação independente de reservas. No 2T25, a companhia formalizou o acordo de compra e venda de gás dos ativos do Polo Periquito e direcionou investimentos para restaurar poços produtores, conectando a malha à estação de compressão e preparando a escalada de volumes contratados. Esse desenho comercial, em paralelo à reinterpretação geológica e à integração de ativos na Bacia Potiguar, sustenta a expectativa de captura de preço e aumento de mix de gás no segundo semestre.
A fotografia operacional de julho confirma a transição para um novo patamar de produção, com o início do fornecimento comercial de gás em Periquito e avanço da campanha de completação, como registrado na produção de julho de 2025, que marcou a virada operacional e a entrada do gás na curva. Essa sequência ordena perfuração, avaliação e conexão de poços, permitindo ramp-up orgânico à medida que novos pontos entram na infraestrutura existente. Com reservas 2P estimadas em 5,6 milhões de boe no RN e VOIP relevante, a empresa passa a ter mais alavancas para diluir custos fixos, mitigar sazonalidades e sustentar margens, ao mesmo tempo em que reduz incerteza sobre escoamento e comercialização.
No front de óleo, o movimento dá continuidade à campanha técnica em Andorinha: o CAPEX do trimestre (R$ 4,5 milhões) em perfuração se materializou na conclusão da perfuração do 3-AND-5-RN com 13 metros de net pay, abrindo a etapa de avaliação e completação prevista para agosto e a conexão à estação coletora. A sequência anunciada — perfuração do 7-AND-6-RN e, no 4T25, do pioneiro 1-PHO-2-RN no bloco POT-T-610 — sugere um pipeline contínuo de projetos que pode elevar produção e reservas provadas, criando gatilhos para reprecificação à medida que a entrega técnica (teste de poços, certificação e entrada em produção) migra para resultados econômico-financeiros.
Do lado do balanço, a mensagem da administração sobre o reforço de caixa e estabilidade societária se encaixa no movimento dos acionistas de referência que ampliaram participação e reiteraram apoio à capitalização, sinalizando fôlego para sustentar a integração de ativos (Barrinha/Porto Carão), a certificação independente de reservas e a nova safra de poços. Diferentemente do início do ciclo, quando a empresa dependia de eventos de captação e de autorizações regulatórias, a combinação de base acionária engajada, contratos de offtake e projetos em execução reduz o risco de cronograma e aumenta a visibilidade de geração de caixa no 2º semestre de 2025.






