A Trisul apresentou no 2T25 uma combinação de receita menor e rentabilidade mais alta: R$ 293,7 milhões em receita líquida (-7,8% a/a), lucro líquido de R$ 48,0 milhões (+57,6% a/a) e margem bruta de 30,4% (+5,4 p.p.). O EBITDA ajustado alcançou 23,7%, com VSO de 14,3%. A entrega do The Collection Vila Madalena e a forte venda de estoques — que reduziram em mais de 50% o VGV do estoque pronto vs. 1T25 — ajudaram a sustentar margens, apesar do menor ritmo de lançamentos.
O trimestre refletiu um calendário comercial mais concentrado no estoque e um único lançamento, o Vila Boulevard Mooca – Fase 1 (MCMV), em 28 de junho, com contribuição limitada para as vendas. Esse comportamento dá continuidade à desaceleração de lançamentos e ao salto nos distratos reportados no 2T25, o que ajuda a explicar a queda de receita frente ao 2T24, enquanto a recuperação de margem e a disciplina de custos sustentaram a expansão do lucro.
Ao reiterar o guidance de 2025 (R$ 1,5 a 2,0 bilhões em vendas e lançamentos), a companhia sinaliza aceleração na segunda metade do ano, amparada por um landbank de R$ 5,7 bilhões (R$ 3,6 bilhões on balance e R$ 2,1 bilhões off balance) e por projetos com diferentes faixas de renda. A evolução da VSO em 1,2 p.p. e a redução do estoque pronto fortalecem a conversão de caixa e criam espaço para reengajar o ciclo de lançamentos sem comprometer rentabilidade.
No front de capital, os eventos subsequentes reforçam o arranjo de funding casado com projetos de Operações Urbanas: o CRI de R$ 50 milhões para aquisição de CEPACs na OUC Faria Lima ecoa a 11ª série de debêntures para aquisição de CEPACs aprovada em julho. Desenhar esse pipeline de funding reduz custo médio, alonga o prazo e preserva liquidez (R$ 549,7 milhões), mantendo a alavancagem em 26,6% do PL e abrindo espaço para acelerar lançamentos sem pressionar o balanço. Esse arranjo também conecta captações a projetos específicos, reduzindo risco de execução.
Do ponto de vista de risco-retorno, os números de margem e a disciplina financeira conversam com o upgrade de rating para 'brAA-' concedido pela S&P e as premissas de crescimento com menor alavancagem: a companhia avança na frente de rentabilidade e preserva flexibilidade de capital, enquanto a retomada de lançamentos — após um 2T de baixa atividade — será o teste-chave para validar o guidance. A divulgação do 2º Relatório de Sustentabilidade (GRI/SASB) adiciona elementos de governança e transparência, relevantes para ampliar o acesso a capital e sustentar a tese de longo prazo.








