Os números do 2T25/6M25 da Light mostram tração operacional e financeira: lucro de R$ 368 milhões no semestre (reversão do prejuízo de R$ 409 milhões no 6M24), caixa de R$ 3,2 bilhões, dívida líquida da Distribuidora em R$ 4,4 bilhões e EBITDA contábil ajustado por VNR de R$ 620 milhões (+6,8% A/A). Apesar do mercado faturado ajustado menor (5.985 GWh; -7,9% A/A) por clima mais ameno e avanço da GD, e da receita líquida ajustada em queda no 6M25 (-6,2% A/A), parte da pressão decorre do reajuste tarifário negativo de 1,67% aprovado em março, cujo efeito é temporário pela compensação regulatória prevista para 2026. Em paralelo, a companhia avançou no plano de perdas com blindagem de rede (7,4 mil clientes em 2025, mais de 15 mil desde 2024), reduzindo perdas de 38% para abaixo de 10% nas áreas tratadas, e manteve investimentos de R$ 399 milhões no 2T25 (R$ 686 milhões no 6M25) para expansão, automação e renovação de ativos. Qualidade segue em recuperação gradual (FEC 2,95, o melhor da série; DEC 6,23h), mas a PNT/MBT em 70,7% — acima dos 38,28% reconhecidos em tarifa — ainda impõe custo adicional de cerca de R$ 1,1 bilhão em 12 meses. Em Geração+Com, a hidrologia crítica e o PLD SE/CO em alta (R$ 202/MWh para R$ 266/MWh) comprimiram margens, com EBITDA Ajustado de R$ 242 milhões no semestre.
Do lado financeiro, a Distribuidora melhorou o resultado em 74,1% no 6M25 (para -R$ 207 milhões), ancorada por menor custo da dívida renegociada, efeito cambial e maior rendimento de aplicações; a dívida bruta ficou em R$ 6,163 bilhões, com prazo médio de 7,3 anos e caixa de R$ 1,814 bilhão. Esse alongamento e a queda de alavancagem dialogam com a reconfiguração recente da base acionária, sinalizando maior apetite de capital para a tese de recuperação judicial. Nesse contexto, a entrada do BTG Pactual como acionista relevante (14,81%) funcionou como um marco de confiança na capacidade de execução do plano: ao mesmo tempo em que a empresa acelera o combate a perdas e reforça a disciplina de capital, o interesse institucional ajuda a estabilizar expectativas sobre a estrutura de capital, ainda que a frente operacional (PNT/MBT e qualidade) siga como vetor determinante do ritmo de recuperação.
Ao mesmo tempo, houve rotação entre investidores: enquanto novos entrantes se posicionaram, parte do capital prévio reduziu exposição. Esse movimento de reequilíbrio ficou evidente com a redução de exposição da WNT para 18,94%, sem alteração de controle, confirmando a transição de perfis acionários durante a execução do plano. Diferentemente do 6M24, quando a Light acumulava prejuízos e maior pressão de endividamento, o 6M25 combina lucro, melhora no perfil da dívida e sinais de eficiência incremental na rede. A companhia projeta acelerar o plano de perdas — com meta de 30 mil clientes blindados até o fim de 2025 —, peça central para converter a recuperação financeira em ganhos sustentáveis de qualidade e rentabilidade, enquanto o alívio tarifário temporário e a normalização hidrológica serão fatores-chave para a trajetória do segundo semestre.







