A Auren Energia (AURE3) apresentou projeções que indicam uma redução significativa da sobra estrutural do sistema elétrico brasileiro, que deve cair de 28% em 2025 para 13% em 2030, representando uma queda de 59% no período. A análise foi divulgada durante o Auren Day 2025, evento corporativo da companhia.
Segundo o CEO Fabio Zanfelice, a transformação da matriz energética já está impactando a formação de preços, com o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) registrando alta volatilidade e chegando a R$ 481/MWh em 2024. "O que parecia futuro já é presente: nossa visão se materializa em um setor em transformação", destacou o executivo.
A empresa identificou que apenas 14% dos empreendimentos previstos para o horizonte de 2030 são considerados viáveis, totalizando 6 GWm dos 43 GWm projetados. O fim dos subsídios para novos projetos, combinado com o aumento do CAPEX e custos de capital, tem desafiado a viabilidade de novos projetos de geração renovável. Esta análise ganha particular relevância considerando a recente transação de R$ 80 milhões com a CBA para aquisição de projetos eólicos, movimento que se alinha com a estratégia de otimização de portfólio em um cenário de maior seletividade.
Mario Bertoncini, VP de Clientes e Comercialização da Auren Energia, destacou que o custo nivelado de energia (LCOE) para projetos eólicos no Nordeste varia entre R$ 214-280/MWh, enquanto para projetos solares no Sudeste/Centro-Oeste fica entre R$ 252-319/MWh, dependendo dos subsídios aplicáveis.
A Auren Energia projeta que o preço de mercado para viabilizar novos projetos, mesmo em autoprodução, deve variar entre R$ 173 e R$ 224/MWh com o fim dos subsídios. A companhia aponta que sistemas com grande participação de energia eólica e solar demandam maior flexibilidade, favorecendo hidrelétricas com reservatórios no novo cenário energético. Esta perspectiva fundamenta a estratégia corporativa que combina a expansão seletiva em renováveis com o fortalecimento do portfólio hidrelétrico, conforme evidenciado pelas duas prioridades estratégicas definidas para 2025: conclusão da integração com a AES Brasil e avanço na desalavancagem.







