A Fras-le (FRAS3) anunciou que está avaliando uma oferta pública de ações no valor estimado de R$ 300 milhões, combinando emissão de novas ações e venda de papéis pela controladora Dramd Participações. A operação será destinada exclusivamente a investidores profissionais e contará com esforços de colocação no exterior.

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Para conduzir a potencial oferta, a companhia contratou o BTG Pactual e o Itaú BBA como assessores financeiros. O objetivo declarado é fomentar a liquidez das ações da empresa e atrair novos investidores para a base acionária. Caso seja efetivada, os acionistas atuais terão direito de prioridade na subscrição das novas ações.

A controladora Dramd confirmou que, se vender suas ações na operação, utilizará os recursos para subscrever aumento de capital da Randoncorp, controladora direta da Fras-le. Tanto a Dramd quanto a Randoncorp indicaram que não exercerão seus direitos de prioridade na oferta, aumentando a disponibilidade de papéis para novos investidores.

A potencial captação surge após um período de intensa expansão inorgânica da companhia, que teve início com a aquisição da Dacomsa por R$ 2,2 bilhões concluída em janeiro, a maior operação da história da empresa. Esta transação elevou significativamente o endividamento da Fras-le, resultando em alavancagem de 2,6x no primeiro trimestre, o que pode justificar a busca por recursos através do mercado de capitais para otimizar a estrutura financeira.

O timing da oferta coincide com a demonstração de resultados consistentes pela companhia, que vem registrando crescimento expressivo em suas receitas mensais. A empresa havia estabelecido projeções ambiciosas para 2025, com guidance de receita entre R$ 5,7 e 6,1 bilhões, sinalizando confiança em sua capacidade de crescimento orgânico e aproveitamento das sinergias da Dacomsa.

Em paralelo ao anúncio da potencial oferta, a Fras-le descontinuou a divulgação de projeções financeiras (guidance) que constavam em seu Formulário de Referência. A decisão visa alinhar a política de divulgação com procedimentos usuais de auditores e consultores em transações deste tipo. Esta mudança representa uma quebra na política de transparência que havia sido estabelecida, considerando que a empresa mantinha comunicação regular sobre suas expectativas financeiras.

A movimentação no mercado de capitais também reflete o crescimento acelerado da companhia através de aquisições estratégicas. Recentemente, em junho, a empresa anunciou a aquisição dos 19,9% restantes da Jurid por Federal Mogul, consolidando o controle total da fabricante de pastilhas de freio e dando continuidade à estratégia de expansão inorgânica que tem caracterizado a gestão atual.

A empresa ressaltou que ainda não há decisão formal sobre a efetivação da oferta, que depende de condições de mercado, aprovações societárias e interesse de investidores. Os próximos desenvolvimentos sobre a operação serão comunicados através dos canais oficiais da companhia.

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