A Eletrobras (ELET3, ELET5, ELET6) anunciou nesta terça-feira, 10 de junho de 2025, que terá um impacto negativo de cerca de R$ 3,4 bilhões no EBITDA do segundo trimestre após decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) sobre o componente financeiro da RBSE - Rede Básica Sistema Existente.
A decisão da diretoria colegiada da ANEEL reduziu as últimas três parcelas de receita anual da companhia, referentes aos ciclos 2025/2026, 2026/2027 e 2027/2028, de aproximadamente R$ 6.878 milhões para aproximadamente R$ 5.504 milhões. A redução total representa R$ 1.374 milhão por ano, ou R$ 4.122 milhões nos três anos.
Este novo impacto regulatório ocorre após a empresa já ter enfrentado desafios similares no primeiro trimestre, quando registrou reversão de R$ 952 milhões na Chesf por remensuração regulatória em 2024, que contribuiu significativamente para o prejuízo líquido ajustado de R$ 81 milhões reportado no período. A recorrência desses ajustes regulatórios demonstra a complexidade do ambiente operacional da companhia no setor elétrico brasileiro.
A revisão atingiu todas as subsidiárias da Eletrobras: a Chesf terá R$ 1.676 milhões anuais, a Eletronorte R$ 782 milhões, a CGT Eletrosul R$ 366 milhões e a Eletrobras (sucessora de Furnas) R$ 2.680 milhões. Os valores foram calculados com data base de junho de 2025.
O componente financeiro da RBSE refere-se ao pagamento às transmissoras por ativos de transmissão existentes, objeto da Portaria MME nº 120/2016. A decisão da ANEEL atendeu pedido de reconsideração interposto por usuários da rede quanto aos valores homologados.
O impacto representará um desafio adicional para a empresa, que vem implementando uma estratégia de otimização de portfólio com a venda de usinas térmicas por R$ 2,9 bilhões e outras operações para fortalecer sua posição financeira. Recentemente, a companhia também recebeu elevação de rating pela Moody's para Ba1, refletindo expectativas positivas sobre sua capacidade de manter liquidez robusta e executar seu plano de investimentos.
Investidores devem acompanhar os próximos resultados trimestrais da Eletrobras para avaliar como a empresa ajustará suas projeções financeiras diante desta remensuração regulatória significativa.







