O Banco BTG Pactual (BPAC3, BPAC5, BPAC11) negou oficialmente ter planos de realizar uma oferta pública de aquisição (OPA) do Banco Pan, em resposta a questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A negativa veio após as ações do Pan dispararem mais de 6% com especulações sobre uma possível incorporação.
Em comunicado à CVM, o BTG confirmou que está "intensificando a integração entre as áreas" dos dois bancos "em busca de maiores sinergias operacionais e estratégicas", mas enfatizou que "não há intenção, neste momento, de realizar uma oferta para o Banco Pan". O banco entendeu que não houve motivo para configurar fato relevante.
A postura cautelosa em relação aos esclarecimentos regulatórios mantém o padrão observado em outras situações recentes, como quando o BTG desmentiu categoricamente rumores sobre aquisição da G5 Partners em abril, reafirmando seu compromisso com a transparência junto aos órgãos reguladores. No entanto, a confirmação sobre a intensificação da integração operacional alinha-se perfeitamente com a estratégia de análise de oportunidades de consolidação no mercado que a instituição tem perseguido sistematicamente.
A CVM havia questionado o BTG sobre notícia do Brazil Journal que destacava movimentações indicando proximidade de uma incorporação. Entre os sinais citados estavam a troca do CEO do Pan em fevereiro por André Luiz Calabro, executivo que já estava no BTG, e a ocupação de diversos cargos de diretoria do Pan por executivos do BTG, incluindo CTO, diretor jurídico e diretora de compliance.
Segundo a matéria, o Pan já opera com "estrutura quase matricial", com quase todas as áreas respondendo às equivalentes do BTG, exceto crédito. O CEO Roberto Sallouti também tem se referido ao Pan como "uma marca do grupo" em calls com investidores.
O movimento de integração operacional sem consolidação societária imediata ecoa a estratégia diversificada de crescimento que o banco tem implementado, evidenciada nas recentes aquisições de participações minoritárias na Light e Méliuz por R$ 1,5 bilhão, demonstrando diferentes abordagens para expansão e geração de sinergias. Esta flexibilidade estratégica tem se mostrado eficaz, especialmente considerando os resultados recordes de R$ 3,37 bilhões em lucro líquido ajustado no primeiro trimestre de 2025, que sustentam a capacidade de investimento da instituição.
O volume negociado das ações do Pan no dia foi de R$ 31,1 milhões, o dobro da média dos últimos cinco pregões. Investidores devem acompanhar se a integração operacional evoluirá para uma consolidação societária nos próximos trimestres.







