A Aeris Energy (AERI3) divulgou nesta terça-feira, 25 de março de 2025, seus resultados financeiros referentes ao quarto trimestre e ao ano de 2024, reportando um prejuízo líquido de R$ 934,1 milhões, comparado a uma perda de R$ 106,6 milhões em 2023, representando um aumento de 776,5% no prejuízo anual.
O resultado negativo foi fortemente impactado por um impairment de R$ 751 milhões, classificado como efeito "one-off" (não recorrente), decorrente da finalização dos contratos com três importantes clientes: Siemens Gamesa, Nordex e Weg.
A receita operacional líquida da fabricante de pás eólicas totalizou R$ 1.516,5 milhões em 2024, uma redução de 46,5% em comparação com o ano anterior. O EBITDA ajustado alcançou R$ 138,8 milhões, com margem EBITDA de 9,2%, queda de 2,5 pontos percentuais em relação a 2023.
Segundo a companhia, o setor de energia eólica brasileiro perdeu força em 2024, com previsão de continuidade desse cenário em 2025, iniciando uma possível recuperação apenas a partir de 2026. O CEO Alexandre Negrão afirmou que "apesar dos nossos maiores esforços até final de 2024, na tentativa de manter os clientes existentes, três deles optaram por não renovar contrato e um decidiu reduzir a demanda". Este cenário desafiador coincide com o período em que a empresa passou por mudanças em sua diretoria comercial.
Como medida para enfrentar o cenário adverso, a Aeris destacou esforços para ampliar sua presença no mercado internacional. As exportações representaram 31,8% da receita no 4T24 e 4,8% da receita total em 2024, tendência que a empresa espera intensificar nos próximos anos.
A empresa também informou que está em processo de renegociação de suas principais dívidas, visando o alongamento dos prazos e a revisão de covenants financeiros, com expectativa de conclusão até o final do primeiro trimestre de 2025. Este processo faz parte de uma estratégia mais ampla de reestruturação financeira que a companhia vem implementando. A dívida líquida encerrou 2024 em R$ 1.189,1 milhões, elevando a alavancagem (Dívida Líquida/EBITDA) para 8,6x.
Do impairment total registrado, R$ 505,4 milhões referem-se à não recuperabilidade de estoques, R$ 213,2 milhões a provisões para perdas em contas a receber de clientes e R$ 32,3 milhões relacionados a ativos intangíveis de projetos descontinuados.
O potencial máximo de ordens cobertas por contratos de longo prazo da companhia encerrou 2024 em 9,7 GW, com sete linhas de produção ativas, das quais cinco maduras e duas não maduras.
Em paralelo aos desafios financeiros, a Aeris segue com seu processo de recomposição do Conselho de Administração, com expectativa de apresentação dos candidatos na Assembleia Geral Ordinária marcada para 30 de abril de 2025.







