Na prévia operacional do 4T25, a Cyrela lançou R$ 4,5 bilhões (100%), queda de 33% na comparação anual e de 10% trimestral, e vendeu R$ 3,3 bilhões (100%), retração de 32% a/a e 6% t/t. Na base ex-permuta e %CBR, os lançamentos recuaram 32% a/a e 3% t/t, e as vendas diminuíram 33% a/a e 4% t/t. A companhia lançou 21 empreendimentos no trimestre, com participação própria de 76% nos lançamentos e 75% nas vendas. Do VGV lançado, 85% será reconhecido por consolidação (18% das vendas por equivalência), reforçando visibilidade de receita. A VSO em 12 meses ficou em 45,2% (55,0% no 4T24; 50,0% no 3T25). Mesmo com a desaceleração no trimestre, 2025 encerrou com VGV de lançamentos de R$ 18,6 bilhões, 43% acima de 2024. Os números são preliminares e sujeitos à revisão da auditoria.

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Estratégicamente, a moderação do 4T25 acontece após um ano de forte expansão do VGV e maior peso de projetos consolidados, o que tende a estabilizar margens e o reconhecimento contábil para 2026. Esse desenho se conecta ao reforço de capital e à previsibilidade ao acionista materializados na aprovação da criação das Ações PN Especiais e capitalização de R$ 2,499 bilhões em 31/12. Ao fortalecer o patrimônio líquido sem saída de caixa, a companhia criou uma “almofada” para atravessar safras com VSO mais baixa, ajustar o ritmo de lançamentos de forma seletiva e preservar o ciclo de obras, enquanto mantém foco nas praças core e em margens sustentáveis.

Além disso, a leitura do trimestre deve ser feita à luz do mix de vendas do 4T25: 51% em lançamentos, 43% em obras e 6% em estoque pronto (ex-permuta e %CBR: 50%, 42% e 8%, respectivamente). Diferentemente do observado no 4T24, quando a VSO em 12 meses estava em 55%, a atual leitura de 45,2% sugere maior seletividade e preços mais firmes em um ambiente de execução disciplinada. Esse equilíbrio entre crescimento e retorno já vinha sendo sinalizado pelos dividendos intermediários de R$ 1 bilhão aprovados em dezembro, que alternam proventos em dinheiro com instrumentos societários, sem comprometer a liquidez necessária para a próxima safra de lançamentos e a conversão do backlog.

Por fim, o posicionamento de capital em 2025 privilegiou previsibilidade e preservação de caixa, em linha com o arrefecimento pontual do 4T25 e a necessidade de manter flexibilidade para 2026–2028. Nesse contexto, o término do programa de recompra em dezembro de 2025 reforça que a prioridade foi remunerar via dividendos e bonificação, ao mesmo tempo em que se manteve opcionalidade tática com ações em tesouraria. Em conjunto, esses movimentos compõem uma narrativa coerente: menor velocidade no trimestre, mas com portfólio mais consolidado, capital reforçado e política de alocação que sustenta execução e retorno ao acionista.

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