Nos resultados do 3T25, a Camil Alimentos (CAML3) entregou lucro de R$ 44 milhões, receita líquida de R$ 2,9 bilhões (-5,1% YoY; -1,2% QoQ) e EBITDA de R$ 238,8 milhões (+39,4% YoY; -4,7% QoQ), com margem EBITDA de 8,1% e margem bruta de 22,7%. O volume total atingiu 616 mil t (+14% YoY), sustentado especialmente pelo Internacional (249,4 mil t; +59,4% YoY), enquanto Brasil – Alto Giro cedeu em volume e preço, refletindo a forte deflação do arroz (-49,6% YoY) e do açúcar (-25,9% YoY). Já o Brasil – Alto Valor avançou em volume (+22,7% YoY) e preço médio (+30,7% YoY), reforçando a estratégia de mix. O trimestre trouxe capex de R$ 95 milhões (Cambaí/RS e nova termoelétrica), alavancagem de 4,2x e capital de giro em 93 dias, com a companhia reiterando a sazonalidade que costuma liberar caixa no 4º tri.

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Este resultado consolida a execução do ciclo de investimentos (planta de grãos em Cambaí e termelétrica) ancorado pela conclusão da captação de R$ 1,25 bi via debêntures+CRA em novembro, que alongou duration e reduziu risco de refinanciamento. Ao casar passivos de longo prazo com necessidades de capital de giro e projetos de eficiência, a Camil protege a operação em um ambiente de forte volatilidade das commodities — como visto no arroz e no açúcar — e cria folga para absorver oscilações de receita sem comprometer a geração operacional. Esse arranjo se mostra particularmente relevante em períodos de pico de capital de giro (início do ano) e tende a capturar a liberação de caixa típica do quarto trimestre, dialogando com a alavancagem atual de 4,2x e o rating BrAA+.

No front operacional, o salto de volumes no Internacional e a queda do preço médio por kg refletem tanto a dinâmica competitiva regional quanto a integração recente: a consolidação do Paraguai a partir de 1º de setembro é a evolução natural da formalização do arrendamento da Villa Olivia no Paraguai, que endereçou governança, previsibilidade de custos e estabilidade de ativos. O avanço sugere ganho de escala, diluição de custos e menor sensibilidade ao ciclo doméstico do arroz, ao mesmo tempo em que o Brasil – Alto Valor acelera e compensa parte da pressão de preços em Alto Giro. Em conjunto, esses vetores ajudam a explicar o contraste de tendências do trimestre: receita menor, porém EBITDA e margens mais resilientes, sustentados por eficiência, mix e integração regional.

Do ponto de vista do acionista, a disciplina de caixa e o balanceamento entre crescimento e retorno ficam explícitos no cronograma trianual de dividendos até 2028, que distribui parcelas menores ao longo do ano e reforços em dezembro — alinhando a política de proventos à sazonalidade do capital de giro mencionada no 3T25. Mesmo com a queda sequencial do lucro líquido (-44% vs 2T25), a previsibilidade do funding e a liberação de caixa típica do 4º tri sustentam a coerência entre execução de projetos (Cambaí/termelétrica), integração no Cone Sul e remuneração recorrente, reforçando a narrativa de virada operacional com disciplina financeira.

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