Em 25 de novembro de 2025, a Camil Alimentos informou que, em 17 de novembro, sua controlada paraguaia Villa Olivia Rice S.A. (VOR) celebrou contrato de arrendamento com a Q2PY S.A., em transação entre partes relacionadas. A Q2PY é veículo controlado por Luciano Quartiero (diretor presidente) e por Thiago Quartiero, ambos do grupo de controle. Segundo a companhia, os termos foram aprovados pelo Conselho de Administração em 13/11/2024, com ajustes em 09/10/2025, após avaliações econômico-financeiras independentes e observância da Política de Partes Relacionadas. Em linha com boas práticas, Luciano não interferiu no processo e Thiago, junto de Jacques Quartiero, absteve-se de votar. O comunicado atende à Resolução CVM 80 (art. 33, XXXII, e Anexo F) e remete ao fato relevante divulgado em 01/09/2025.

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Este contrato de arrendamento dá continuidade à estratégia de internacionalização e à integração operacional no Paraguai, ao organizar o uso de ativos essenciais para a VOR e amarrar horizontes de longo prazo com originação, processamento e logística no Cone Sul. A empresa já havia sinalizado a relevância dessa expansão e as sinergias esperadas no seu desempenho recente, quando destacou a entrada no mercado de arroz do Paraguai por meio da Villa Oliva e as sinergias previstas. Na prática, a formalização do arrendamento endereça governança e estabilidade de operação em um ativo-chave recém-integrado, mitiga riscos de transição e cria previsibilidade de custos, elementos críticos para capturar eficiência industrial e reduzir a sensibilidade ao ciclo doméstico do arroz. Ao mesmo tempo, o desenho contratual com avaliação independente e abstenções registra o cuidado com potenciais conflitos, preservando a trilha de credibilidade junto a credores e investidores.

Em paralelo, o movimento se alinha à engenharia financeira que a Camil vem estruturando para sustentar investimentos industriais, integração logística e capital de giro da originação. Em outubro, a companhia aprovou a 15ª emissão de debêntures lastreando a 389ª emissão de CRA, com prazos entre 2030 e 2035 e objetivo de alongar a duration e diversificar a base de investidores. Esse arcabouço de funding casa passivos de longo prazo com projetos de eficiência (como energia a biomassa) e com a necessidade de estabilidade de caixa para integração internacional, reduzindo risco de refinanciamento em um ambiente de commodities volátil. Ao ancorar contratos operacionais relevantes — como o arrendamento da VOR — em uma estrutura de capital mais previsível, a companhia reforça a coerência entre governança de transações com partes relacionadas e disciplina financeira.

A execução avançou em novembro com a conclusão da captação de R$ 1,25 bilhão via debêntures+CRA, após demanda que permitiu o lote adicional, o que consolida a tese de previsibilidade e diluição de risco no passivo. Esse desfecho fortalece a capacidade de a Camil sustentar a integração no Paraguai sem pressionar o caixa de curto prazo, mantendo a agenda de eficiência e expansão. Em síntese, o arrendamento anunciado hoje funciona como peça operacional que materializa a fase seguinte da internacionalização, enquanto o financiamento de longo prazo e as salvaguardas de governança indicam uma trajetória de crescimento com controle de riscos e alinhamento aos minoritários.

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