Em 12 de janeiro de 2026, a Brava Energia (BRAV3) informou que o Conselho de Administração aceitou a renúncia de Décio Oddone e elegeu Richard Kovacs como novo diretor presidente (CEO), com posse em 1º de fevereiro de 2026. Até 31 de janeiro, Oddone permanece para assegurar transição coordenada. Em razão da eleição de Kovacs para a Diretoria Executiva, ele renunciou à presidência do Conselho, cargo que passou a ser ocupado por Alexandre Cruz. A companhia enfatizou que a sucessão era planejada e preserva a estratégia de longo prazo e a cultura de disciplina de capital, segurança operacional e eficiência — características associadas ao ciclo em que Oddone liderou o projeto Atlanta desde a concepção e conduziu a recuperação de Papa‑Terra, preparando a empresa para a próxima etapa de crescimento.
O movimento se encaixa na arquitetura de governança montada ao longo do último trimestre, com cadeias decisórias mais curtas e uma mensagem única ao mercado. A sucessão planejada dialoga com a confirmação de Luiz Carvalho como CFO e DRI em 24 de novembro, integrando Finanças/RI e simplificando a governança, arranjo que profissionalizou a cadência de disclosure e alinhou orçamento, alocação de capital e comunicação regulatória. Com a presidência do Conselho agora sob Alexandre Cruz, a companhia preserva um sistema de pesos e contrapesos que ajuda a atravessar mudanças executivas sem alterar prioridades estratégicas — inclusive na agenda de eficiência, desalavancagem e execução de projetos já aprovados. Para o investidor, a leitura é de continuidade institucional, com transição ordenada e sem ruptura de diretrizes.
Do ponto de vista de relacionamento com o mercado e conformidade, a companhia reforçou repetidamente a disciplina sob a CVM 44, separando capacidade operacional de projeções formais e reagindo com rapidez a ruídos. Essa linha ficou cristalina na resposta ao Ofício 343/2025 da CVM, que separou capacidade operacional de guidance e reforçou a disciplina de disclosure. Em um contexto de mudança no comando executivo, tal clareza reduz riscos de interpretação e ancora expectativas no que já foi deliberado em projetos e orçamentos. A transição para Kovacs, portanto, se apoia em processos testados de comunicação e governança: o CEO assume com arcabouço regulatório robusto, conselho reequilibrado e uma equipe de Finanças/RI integrada para sustentar previsibilidade de mensagens e acompanhamento de métricas-chave.
Na frente operacional, a própria mensagem da companhia credita a Oddone a implementação de Atlanta e a recuperação de Papa‑Terra — pilares do ganho de escala recente. Esses marcos aparecem nos números de produção mais recentes, como a produção preliminar de 2025 com avanço de 46% e recordes em Atlanta e Papa‑Terra, evidenciando a execução sob a gestão de Oddone. Ao mesmo tempo, a empresa destacou que o 4T25 foi afetado por manutenções programadas, isto é, uma fotografia temporária que não altera a capacidade atual. Essa combinação — base produtiva mais eficiente e cronogramas de manutenção previsíveis — cria um terreno fértil para a continuidade sob Kovacs, que recebe um portfólio já normalizado e com campanhas de perfuração aprovadas para sustentar volumes e eficiência.
No mercado de capitais, a narrativa de continuidade também se apoia na internacionalização da base e na maior previsibilidade de fluxo, fatores que demandam estabilidade de governança e comunicação bilíngue. Esse canal foi consolidado com a efetivação do ADR Nível 1 em 1º de dezembro, com JPMorgan como depositário, ampliando visibilidade e facilitando hedge em dólar para investidores globais. Em síntese, a sucessão de CEO e a nova presidência do Conselho não inauguram uma estratégia, mas consolidam a que já vinha sendo implementada: execução disciplinada dos projetos offshore, rigor de disclosure e uma plataforma de mercado mais profunda para atravessar a próxima fase de crescimento.







