Nesta sexta-feira, 19 de dezembro de 2025, a Brava Energia (BRAV3) respondeu ao Ofício nº 343/2025 da CVM, motivado por notícia da CNN Brasil, esclarecendo que os US$ 550 milhões mencionados e a referência a cerca de 100 mil boed a partir de 2027 são indicadores operacionais, não guidance. Segundo a companhia, o valor reflete capacidade agregada de investimentos derivada do patamar de CAPEX de 2025 e da campanha de perfuração de quatro poços já aprovada para Atlanta e Papa‑Terra; não há anúncio de novo orçamento. A CVM questionou a ausência de Fato Relevante à luz da Resolução 44/21 e, caso as informações sejam verídicas, determinou a atualização do Formulário de Referência conforme a Resolução 80/22, alertando para multa por descumprimento. A empresa reiterou que não adota projeções formais e que 100 mil boed é capacidade potencial, não estimativa de produção. O comunicado, assinado pelo CFO e DRI, Luiz Felipe Chaves de Carvalho, lembra que os parâmetros decorrem de projetos já divulgados, inclusive aquele com custo aproximado de US$ 147 milhões informado em 26/11/2024.

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O movimento dá continuidade à disciplina de disclosure que a companhia vem adotando neste trimestre, visível no fato relevante de 16 de dezembro que negou tratativas com a Eneva e formação de bloco de controle, reforçando a disciplina de disclosure nos termos da CVM 44. Ao reagir prontamente a rumores e consultas do regulador, a Brava busca reduzir ruído informacional em um ciclo de maior visibilidade. Na mesma toada, a manifestação à CVM clarifica a fronteira entre indicadores operacionais (CAPEX, boed potencial) e projeções de resultados, evitando que o mercado leia como guidance o que é capacidade instalada ou efeito de projetos já aprovados. Essa separação é particularmente relevante para o investidor que modela risco regulatório, pois define o que deve ser refletido no Formulário de Referência e o que permanece como referência técnica de execução, sem compromissos de resultado.

Operacionalmente, a referência a US$ 550 milhões como capacidade agregada conversa com a sequência de projetos já comunicados para Atlanta e Papa‑Terra. A empresa vem de um ciclo em que conectou novos poços, acelerou o comissionamento do FPSO de Atlanta e preparou a Fase 2, visando sustentação de volumes e eficiência de custos. Essa agenda foi detalhada no 3T25 robusto que antecipou a Fase 2 de Atlanta com dois novos poços a partir de dezembro e o avanço dos poços em Papa‑Terra, além de ressaltar a desalavancagem e a flexibilidade para financiar a expansão sem pressionar o balanço. Em outras palavras, os números citados à imprensa e reiterados à CVM derivam de projetos com engenharia e orçamentos em andamento, compondo uma capacidade potencial que depende de execução, licenças, cronogramas de perfuração e fatores de risco operacionais explicitados no próprio Formulário de Referência.

Do ponto de vista de governança e relações com investidores, a opção por não adotar guidance formal e manter a comunicação ancorada em indicadores operacionais é coerente com a reorganização que integrou Finanças e RI e elevou a barra de conformidade regulatória. A centralização da mensagem reduz ambiguidades entre orçamento, execução e expectativas do mercado, sobretudo num momento de internacionalização da base de investidores. Essa linha foi reforçada com a confirmação de Luiz Carvalho como CFO e DRI em 24 de novembro, integrando Finanças/RI e consolidando o padrão de disclosure sob a CVM 44, arranjo que ajuda a sincronizar cronogramas, evitar confusão entre capacidade e projeção e responder com previsibilidade a provocações da imprensa e do regulador.

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