Em 9 de janeiro de 2026, a Eucatex comunicou a venda dos imóveis rurais “Fazenda Nossa Senhora da Conceição”, em Itu e Porto Feliz (SP), por R$ 200 milhões, com R$ 60 milhões à vista e o saldo em 60 parcelas mensais corrigidas. A área total soma 832,3476 hectares, dos quais 552,21 hectares são florestas de eucalipto plantadas — menos de 2% do total de florestas da companhia. Durante o período de pagamento, a Eucatex permanecerá na posse da área para colher a floresta existente. A empresa afirma que a alienação está alinhada à otimização do portfólio de ativos e que os recursos serão destinados a investimentos estratégicos, em linha com seu compromisso de governança e geração de valor sustentável.

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Este movimento consolida a disciplina de alocação e de fortalecimento do balanço já sinalizada no aumento de capital por capitalização da reserva legal em 29 de dezembro de 2025. Ao optar por alienar um ativo rural específico e de baixa relevância relativa — menos de 2% do parque florestal plantado —, a companhia recicla capital sem comprometer a base de suprimento de madeira. A manutenção da posse até a colheita preserva o abastecimento industrial e reduz riscos operacionais, enquanto a combinação de entrada à vista e 60 parcelas cria um fluxo previsível de caixa ao longo de aproximadamente cinco anos, favorecendo planejamento de investimentos e gestão de passivos. Essa engenharia de liquidez conversa com a estratégia de financiamento lastreado e governança de garantias construída em 2025, quando a empresa consolidou a bookbuilding da 100ª emissão de CRA com garantias reais e lastro em recebíveis apoiados por florestas.

Ao alinhar desinvestimento seletivo com funding estruturado e colateral tangível, a Eucatex reduz pressão sobre custo de capital, preserva flexibilidade para ciclos de capex e dá continuidade à padronização documental e de risco vista em suas captações. O cronograma parcelado de recebimento também suaviza a volatilidade de caixa em ambiente de juros elevados, enquanto a permanência na posse garante captura do valor da madeira no timing ideal de colheita. Esse desenho de caixa dialoga com o JCP declarado em 16 de dezembro de 2025 com pagamento até o fim de 2026, reforçando a coerência entre previsibilidade de entradas, disciplina de remuneração ao acionista e investimentos estratégicos. Em síntese, a venda da fazenda é mais um capítulo da estratégia de reciclagem de ativos não essenciais, sustentação do supply florestal e alocação eficiente de capital para sustentar crescimento com governança.

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