São Paulo, 22 de dezembro de 2025 — A Azul protocolou na CVM uma oferta pública primária de novas ações ordinárias e preferenciais, que pode somar R$ 7,44 bilhões. A operação, com bônus de subscrição na proporção 1:1 e preços unitários simbólicos (subscrição por cestas de 1.000.000 ON ou 10.000 PN), é o instrumento societário para implementar no Brasil a troca obrigatória das Senior Notes 1L/2L por ações — com perdão de juros — no âmbito do Chapter 11. Em essência, a oferta operacionaliza a capitalização e a redistribuição de equity desenhadas no Resumo do Plano com ERO de até US$ 950 milhões e distribuição da nova equity às classes 1L e 2L, e dá sequência ao comunicado de 12/12.

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O registro seguirá rito automático (Resolução CVM 160), sem análise prévia da CVM/ANBIMA. O UBS BB coordenará em regime de garantia firme de liquidação (excluídas as ações integralizadas com dívidas das notas), sem estabilização de preço. Haverá Oferta Prioritária a acionistas — com exclusão do direito de preferência, mas com direito de prioridade nas datas de corte de 19/12 e 30/12 — e ordens exclusivamente em cestas padrão, com arredondamento para baixo de frações e sem cessão de direitos. Detentores de ADRs não poderão participar da prioridade; a colocação de ADRs e bônus a credores no exterior ocorrerá por transações isentas. Sobras da prioridade irão apenas para investidores profissionais na oferta institucional e não há distribuição parcial: sem demanda suficiente ao final da alocação, a oferta é cancelada e valores são devolvidos. Cronograma indicativo: registro/anúncio de início e alocação em 06/01/2026; início de negociação em 08/01/2026; liquidação em 09/01/2026; e crédito em 12/01/2026. As PNs existentes passam a AZUL54 (R$ por 10.000 ações), as ON da oferta a AZUL53 (R$ por 1.000.000 ações) e os bônus AZUL80; haverá mercado fracionário.

Este passo consolida a continuidade jurídica e de governança construída nas semanas anteriores: a companhia já havia preparado o Estatuto e o capital autorizado para absorver emissões volumosas e conversões imediatas, por meio da alteração do capital autorizado e ajuste estatutário na AGE de 16/12, preparatórios à execução do Plano. Ao alinhar o arcabouço societário local ao cronograma da corte de Nova York, a Azul reduz risco de execução, comprime prazos entre a confirmação judicial e a emissão efetiva e preserva a janela de saída estimada.

Do ponto de vista econômico-financeiro, a oferta em cestas, combinada ao rito de prioridade sem direito de preferência e à colocação institucional de sobras, foi desenhada para maximizar a executabilidade da troca de dívida por ações e dar previsibilidade à liquidação, mesmo em mercados voláteis. Na prática, isso viabiliza a desalavancagem planejada, reforça a opção por execução stand-alone e sincroniza a conversão de notas com a recomposição de caixa. O movimento conecta-se diretamente ao Plano de Negócios de outubro, que projeta alavancagem líquida de 2,5x na saída e estrutura a capitalização, combinando ERO backstopped, novas dívidas sêniores e pagamento do DIP. Ao amarrar cronograma, governança e funding, a Azul transforma as premissas do Chapter 11 em instrumentos negociáveis na B3, preparando o ciclo operacional de 2026–2029 e colocando a reestruturação na fase de execução final.

Em termos de impactos para investidores, a elevada emissão primária e a alocação de ações aos credores implicam diluição substancial dos atuais acionistas, em linha com o desenho do Plano. O detalhe de cestas, códigos de negociação e marco temporal de prioridade ajuda a calibrar participação e liquidez na transição, enquanto o mecanismo de cancelamento na falta de demanda protege a integridade do processo. No conjunto, a oferta pública no Brasil é o elo que fecha a ponte entre a arquitetura financeiro-jurídica montada nos EUA e a normalização societária necessária para a saída do Chapter 11.

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